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Sinaval convoca navipeças para apresentar planilha com os itens demandados na construção de petroleiros e embarcações de apoio
O Sindicato Nacional da Indústria de Construção e Reparação Naval e Offshore (Sinaval) deu mais um passo em direção à inclusão da indústria brasileira entre os fornecedores da construção naval. Em uma reunião que contou com a presença de representantes das associações de classe que agregam os fornecedores de navipeças, o vice-presidente executivo do Sinaval, Franco Papini, mostrou uma planilha com o nome e a especificação simplificada de todos os itens necessários à construção de petroleiros e navios de apoio.
O Sinaval identificou também, através de informações cedidas por seus associados, quais destes itens são adquiridos do mercado local, quais têm “potencial” para serem fabricados no Brasil e quais são importados. Para Papini, a planilha vai ajudar a divulgar o mercado naval para fornecedores que talvez nem saibam que podem atender a este nicho.
Na reunião, estavam presentes o diretor-executivo de petróleo, gás, bioenergia e petroquímica da Associação Brasileira da Indústria de Máquinas e Equipamentos (Abimaq), Alberto Machado Neto; o gerente regional RJ/ES da Associação Brasileira da Indústria Elétrica e Eletrônica (Abinee), Paulo Sérgio Galvão; o diretor tesoureiro da Abimaq, Walter Lapietra; e o diretor-executivo da Associação Brasileira da Indústria de Tubos e Acessórios de Metal (Abitam), José Adolfo Siqueira.
O gerente regional RJ/ES da Abinee elogiou a iniciativa do Sinaval. Ele avaliou, no entanto, que todos os itens classificados como tendo potencial de serem construídos no Brasil já poderiam estar sendo fornecidos. Isto não estaria acontecendo por causa das especificações, que são definidas por projetos de engenharia estrangeiros.
Lapietra acrescentou que a dimensão dos equipamentos especificados nos projetos noruegueses, por exemplo, está de acordo com o que é produzido na Noruega. Ele explicou que nem sempre vale a pena, para a indústria brasileira, mudar sua linha de produção por causa da demanda da indústria naval.
O diretor tesoureiro da Abimaq deu como exemplo os fogões, que foram classificados pelo Sinaval como tendo potencial para serem produzidos no Brasil.
“Duvido que uma empresa vá fazer um fogão com uma altura determinada ou dimensões diferentes das já existentes. Se você tiver um projeto brasileiro, você pode mudar um pouquinho as especificações para que haja fornecimento local, sem que isso gere problemas de escala”, afirmou.
Galvão comentou que há precedentes para adaptação dos projetos da Petrobras às medidas brasileiras. Segundo o gerente regional RJ/ES da Abinee, em 2007, durante um seminário promovido dentro do Programa de Mobilização da Indústria Nacional de Petróleo e Gás Natural (Prominp), a associação apresentou 205 propostas de alteração de especificação de itens usados na exploração e produção de petróleo.
Segundo ele, dessas 205 propostas 150 foram incorporadas imediatamente pela Petrobras.
“Para se ter uma ideia da repercussão disso, 50% do faturamento da área de sistemas de automação, hoje, no Brasil, vêm da área de petróleo e gás. Isso só dependia do projeto da Petrobras ser adequado ao país, porque o que a gente faz atende perfeitamente às necessidades deles”, afirmou.
Papini, por sua vez, garante que o Sinaval está mais aberto para as eventuais mudanças de especificações.
“Eu acho que é viável, nós estamos mais receptivos. Estamos um pouquinho melhor neste aspecto. Claro que é difícil, porque nem todos concordam com modificações no projeto, porque em time que está ganhando não se mexe. Mas eu acho que a nossa união vai fazer com que o setor, como um todo, tanto naval quanto de fornecedores, se fortaleça”, avalia.
As associações de classe estão agora analisando a planilha elaborada pelo Sinaval. Elas deverão enviar ao sindicato, por escrito, sugestões e acertos que porventura não tenham sido consideradas pelos construtores.
Depois que as considerações estiverem entregues, o Sinaval irá fornecer as especificações dos itens identificados como possíveis de serem fornecidos. A partir daí, os fabricantes poderão encaminhar suas propostas técnico-comerciais.

 

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