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Atenção ao reparo

Em conferência na Navalshore, representantes da Petrobras e da Transpetro alertam sobre falta de estaleiros para docagem

Representantes da Petrobras e da Transpetro alertaram, durante a Navalshore, sobre a falta de estaleiros para docagem de embarcações. O gerente de engenharia de Exploração e Produção da Petrobras, Fernando Bertoli, e o gerente executivo do Programa de Modernização e Expansão da Frota (Promef), Elízio Neto, afirmaram que, embora haja potencial de demanda significativa para serviços de reparo e docagem das embarcações, há uma carência dessas unidades no país. Essa já é uma preocupação da estatal.

— Antevemos que, se nada for feito, vamos ter problemas no horizonte de médio prazo, porque estaleiro de reparo é extremamente necessário para que a gente garanta que as operações continuarão. Não é razoável tirar barcos daqui, docar em outros países e ficar sem a unidade por vários dias. Fizemos alguns estudos na Transpetro, tentamos atrair alguns investidores, mas até aqui ainda não tivemos sucesso —, diz Neto.

Para Bertoli, a atividade de reparo naval tem sido deixada de lado por não ser tão atrativa do ponto de vista econômico. “Essa atividade está normalmente na carteira dos estaleiros, mas é óbvio que os projetos mais interessantes, com margens maiores de lucro, são os mais atrativos. No entanto, temos mais de 50 sondas operando no Brasil, vamos ter mais 28 daqui a alguns anos. Onde essas unidades vão ser docadas? Gostaríamos de ver esse assunto ser tratado de uma maneira mais abrangente”, afirma o executivo.

Bertoli destaca que a taxa diária de afretamento de uma sonda pode chegar a US$ 600 mil. Historicamente, os projetos de exploração e produção são bastante customizados, com grande consumo de homem/hora e o nicho que recebeu esse tipo de projeto foi Singapura, que detém mais de 70% do mercado offshore. É bem diferente dos projetos tradicionais de construção naval, que se caracterizam pela produção seriada, com ganhos de produtividade ou de escala em linha de produção. Pensando nisso é que a Petrobras tem realizado esforços para tentar padronizar seus projetos, como os cascos replicantes.


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A mão de obra singapuriana, avalia Bertoli, é ineficiente e por isso ele alerta que essa é uma questão que o Brasil deve estar atento. “Essa questão da busca da eficiência, que vai passar pela especialização, tem que levar em consideração também o reparo, para montarmos um modelo de negócio mais adequado a nossa realidade, que não é a de Singapura. Temos que analisar bem como colocar a indústria do reparo dentro desse contexto de ressurgimento da indústria naval do Brasil”, diz.

A Petrobras desenvolveu uma metodologia de análise, na qual mapeou todos os seus programas de investimento e contratação de serviços. A partir daí, a empresa tentou identificar quais são as atividades críticas e os recursos associados a elas. Segundo Bertoli, a análise indicou escassez de dique seco para construção de navios de porte VLCC, o que levou a Petrobras a tomar duas ações: desenvolver o polo de Rio Grande e a construção de um dique com capacidade para dois VLCCs.

— Hoje temos um dique em operação no sul que tem capacidade de receber dois VLCCs ao mesmo tempo e temos também a reativação do estaleiro Inhaúma, que tem um dique de porte de VLCC que não estava operacional. Essa preocupação vem para identificar recursos que são críticos e para vermos qual seria a implicação disso na nossa estratégia de contratação e desenvolvimento dos nossos planos de negócio —, conclui o gerente.

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