A petroleira americana Chevron recebeu permissão da Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP) para voltar a fazer novas perfurações ou injetar água ou gás nos poços existentes do campo de Frade, na Bacia de Campos. A decisão foi aprovada pela agência na última quarta-feira, afirmou ao Valor uma fonte ligada ao assunto.

Os dois procedimentos foram proibidos devido a dois vazamentos que ocorreram na área e são necessários para que a empresa possa retomar a produção nos níveis anteriores aos incidentes. O primeiro vazamento ocorreu em novembro de 2011, com o despejo de 3,7 mil barris de óleo. Já o segundo, em março de 2012, com o derramamento de 25 barris. Logo após o segundo vazamento, a empresa pediu à ANP autorização para interromper a produção em Frade.

Em 8 de abril do ano passado, a Chevron foi autorizada pela autarquia a voltar à produzir, o que aconteceu 22 dias depois. Mas a petroleira permaneceu impedida de perfurar ou injetar gás e água em poços. Em janeiro, a Chevron registrou produção diária de 19,89 mil barris de petróleo ao dia e 208 mil metros cúbicos de gás natural/dia, segundo boletim de produção da agência reguladora. Antes do primeiro vazamento, em outubro de 2011, a Chevron produziu diariamente 36,35 mil barris de óleo e 444,91 mil metros cúbicos de gás natural.

Frade iniciou a produção em 2009 com a operação da Chevron, que tem 51,7% de participação, em parceria com Petrobras (30%) e Frade Japão Petróleo (18,3%). Procurada, a Chevron informou que não foi notificada pela ANP da decisão. A agência também não confirmou a informação.

O incidente em Frade evidenciou a ausência do Plano Nacional de Contingência (PNC) para vazamentos no país, que apenas foi instituído com a publicação do decreto 8.127, em outubro passado. A ideia é que haja uma estratégia de resposta rápida, explicitando a responsabilidade de cada agente do setor, no caso de acidentes graves, quando o governo é chamado para atuar.
Fonte: Valor Econômico/Marta Nogueira | Do Rio