2010 na mira

Fabricantes de motores marítimos avaliam 2009 como um ano razoável e fazem apostas em melhores negócios a partir do ano que vem

O mercado de motores de grande porte para embarcações e plataformas seguiu o mesmo trajeto da economia mundial, sofrendo os efeitos da crise econômica. Mesmo com a expectativa de novas construções da Petrobras e Vale, a cautela é ponto comum a

todos. Mas em compasso de espera pelas novas licitações da Petrobras e o pré-sal, os executivos afirmam que 2009 não foi tão ruim para seus negócios no Brasil.

O mercado brasileiro não foi severamente atingido pela crise financeira mundial como a Europa e Ásia. Helionidas Pires, diretor da área de Ship Power da Wärtsilä Brasil, lembra que ainda há uma demanda retraída para a construção de novas embarcações, e, por consequência, motores. “Havia uma grande necessidade de equipamentos no mercado brasileiro, não afetando as encomendas já feitas”, diz.

A Wärtsilä opera no Brasil comercializando motores de grande porte e para embarcações offshore, além de atuar no segmento de geração de energia e serviços. A empresa licencia seus produtos para fabricantes no Japão e Coreia, que produzem de acordo com as especificações enviadas. As empresas orientais há pouco tempo entraram no mercado brasileiro, dominado antes pelas europeias. Kawasaki e Mitsubishi também estão expandindo seus negócios no mercado brasileiro.

A MAN Diesel Brasil sentiu a crise com algum atraso em projetos já acordados, mas não houve cancelamentos. “Durante o ano, fornecemos motores e propulsores para quatro embarcações do estaleiro Mauá e temos boas perspectivas com as encomendas que a Transpetro deverá fazer a nossos clientes. Nenhum contrato foi cancelado, mas alguns sofreram interrupções. A crise no Brasil foi mais branda, sentimos que já passou”, explica Mário de Luna Barbosa, gerente de vendas marinhas da MAN.

Operando com o setor marítimo há três anos no Brasil, a Mitsubishi não sofreu muito com a crise, apesar de estar com expectativas melhores para 2009. A América do Sul, com o Brasil à frente, é foco de expansão no setor. Alcides Fururo, gerente comercial e de Desenvolvimento de distribuidores/dealers na América do Sul da Mitsubishi, concorda que a crise balançou o mercado, de forma branda. “Quem estava comprando, pediu para esperar um pouco, mas não paramos de crescer em todo o continente. Projetos como os da Petrobras têm puxado as vendas”, completa.

Para as companhias que comercializam motores de médio porte, o ano foi de espera, aguardando as licitações da Petrobras para a construção de barcos de apoio. Ronaldo Melendez, diretor comercial da Rolls Royce, vê um desaquecimento do mercado em compasso de espera. “O ano não foi de todo perdido, mas a demora na resolução das licitações da Petrobras atrasaram todos os projetos. Dos 13 barcos contratados, somente oito foram feitos”, lembra.

O Brasil está na mira de todas as empresas que produzem e comercializam motores, pela grande variedade de oportunidades de negócios que 2010 acena. Para Helionidas Pires, os projetos da Petrobras serão a grande mola do mercado. “Hoje o Brasil é um dos focos da Wärtsilä para 2010. Existem projetos da Petrobras em andamento, e alguns navios da Transpetro precisam ser trocados, pois não atendem às exigências do mercado e das legislações ambientais. Também estão em andamento o Promef 1 e 2, e estamos atendendo a clientes como a Vale e a Log In, que precisam atualizar seus navios. Não adianta produzir petróleo e não ter como entregar, precisam de navios novos”, lembra.

A MAN também está de olho no mercado brasileiro em 2010, principalmente com os avanços na pesquisa e extração do pré-sal. “Vamos lançar uma linha de motores mais potentes, voltados para embarcações que deverão estar no Promef 2. Quando este projeto for para orçamento, já teremos motores mais competitivos”, conta Barbosa.

Todas as empresas que licenciam seus modelos de motor afirmam que seus projetos já estão ajustados de acordo com os tratados internacionais de meio ambiente. Helionidas Pires conta que esta produção está constantemente mudando. “Desde o batimento de quilha do navio, já existe a preocupação com o meio ambiente, e nossos produtos seguem as orientações das entidades internacionais”, contou.

Embarcações precisam de muito mais peças do que motores, e algumas companhias preferem focar em periféricos. Mais antiga representante da MAN no mundo, a Kawasaki internacional prefere direcionar a ação de sua subsidiária brasileira para o comércio de periféricos como azimutais e hélices, do que motores. O gerente de vendas internacionais da Kawasaki Heavy Industries Ltd. (KHI) Japão, Shiro Mase, explica: “A maioria dos estaleiros exporta seus motores da China e Coreia, pelo preço, mas isto não deve seguir adiante, pois há uma vontade do governo brasileiro em nacionalizar a produção, com a aquisição de licenças para que os estaleiros passem a produzir os motores. Nosso foco com o mercado brasileiro é a comercialização de outras peças, como azimutais e hélices”, explica. Atualmente a Kawasaki trabalha principalmente com embarcações da Detroit Brasil.

A Rolls Royce aposta em serviços para seus clientes, inaugurando uma oficina de reparo em Niterói em novembro, com a maior estrutura da companhia para manutenção de equipamentos. Com investimentos da ordem de US$ 15 milhões, o empreendimento foi construído em uma área de 13 mil metros quadrados arrendada pela empresa por 20 anos.

Mesmo sendo um mercado tão importante, os executivos afirmam que no momento, ainda não há demanda suficiente para a instalação de uma planta no Brasil. A MAN, por exemplo, fabrica seus motores na Coreia, China, Japão e Polônia, através de seus licenciados, e comercializa no Brasil. “Sempre procuramos parceiros para começar a fabricar no Brasil, mas a demanda local ainda não justifica”, conta Mario de Luna Barbosa.

 


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