O grupo alemão Thyssenkrupp começa 2019 com expectativa de crescimento no Brasil na faixa de dois dígitos, puxado por uma nova onda de investimentos e pela retomada da economia do país, como um todo. Entre os setores que atende, o automotivo deverá se manter firme e o de elevadores mostra sinais de aquecimento, vinculado ao mercado imobiliário e ao de infraestrutura.

As apostas do conglomerado alemão de bens industriais estão também no aumento da demanda por equipamentos diversos em alguns setores - mineração, fertilizantes, siderurgia, químico e de energia. No entanto, no de cimento, no qual têm tradicional expertise tecnológica, só vislumbra reação de 2020 em diante.

Depois de se desfazer do negócio de produção de aço no país, a atuação do grupo está centrada em três grandes áreas - componentes automotivos, divisão de elevadores e soluções industriais (equipamentos e serviços). No ano fiscal de 2018, encerrado em 30 de setembro, a região registrou vendas de € 1,137 bilhão (o correspondente a R$ 4,4 bilhões).

 

Paulo Alvarenga, que assumiu a presidência do grupo na América do Sul em fins de 2017, disse em entrevista ao Valor que 2018, apesar dos altos e baixos na economia do país, foi um ano bom para a companhia. "Parte da falta de mercado aqui foi compensada com exportação", afirmou. As vendas externas respondem por cerca de 20% da receita no Brasil.

O destaque foi a divisão de elevadores. "Vendemos muito para países da América Latina". Em muitos desses países houve obras em metrôs e aeroportos e a unidade brasileira foi a fornecedora. Com isso, a empresa equilibrou a perda de receita no Brasil com a retração do setor da construção civil.

A companhia entra no novo ano com um recém-contrato na carteira de pedidos, de R$ 500 milhões, obtido em novembro. A empresa vai construir a nova coqueria da siderúrgica da ArcelorMittal Tubarão, em Serra (ES). "O equipamento vai substituir uma coqueria antiga, introduzindo nova tecnologia, o que vai permitir uma maior redução das emissões de gases", afirmou.

A obra será em regime de EPC (engenharia, compra e construção) e vai começar em julho, empregando 700 pessoas. "Trata-se de contrato importante para nós", disse. A Thyssen é líder global na área de coquerias (unidade onde é processado o carvão metalúrgico utilizado na produção de aço) há mais de 130 anos.

Segundo Alvarenga, 2018 começou bem, mas desde a greve dos caminhoneiros, em maio, a economia do país perdeu velocidade. "Ficamos só com o primeiro trimestre bom. O mercado automotivo estava crescendo 15% a 20% e deverá fechar o ano com 8% a 9%", disse.

O executivo diz que a Thyssen ganhou participação de mercado e conseguiu crescer na faixa de dois dígitos. Mas ressalva que a base era baixa, reprimida. "Estamos com maior confiança para 2019, com novo governo. Nosso cenário é para crescer dois dígitos neste ano no Brasil", afirmou.

Alvarenga aponta como pontos importantes as reformas prometidas. A da Previdência, destaca, é fundamental para estabilizar a dívida pública e atrair investimentos e gerar mais empregos. "O que se fizer nesse vaso já é positivo"), afirma o presidente da Thyssen América do Sul. Ele menciona ainda a reforma fiscal ("que traz competitividade ao setor industrial") e a política, para tornar o modelo do país mais flexível em meio à fragmentação de partidos e perda de ideologia.

O executivo informa que a área de serviços também vai crescer. Ele cita, por exemplo, a instalação da unidade de Paraopeba, no Pará, ao lado da mina de ferro de Carajás, operada pela Vale. Vai atender a mineradora, com troca rápida de equipamentos e reformas de outros, em seu plano de crescimento na região. A Vale iniciou operação em 2016 da mina S11D, um megaprojeto de 90 milhões de toneladas por ano.

A Thyssen trouxe para o Brasil o know-how na área de fertilizantes em 2016. "Agora vai começar a render frutos, em um setor que está sob operação de grandes grupos globais desse setor", disse o executivo. No setor de energia, a expectativa é para os projetos de termelétricas à base de biomassa. Segundo Alvarenga, há vários prontos para disputar futuros leilões de energia. "Temos tecnologia para fazer a planta completa".

A companhia aguarda também, com expectativa otimista, o desfecho da licitação da Marinha brasileira no processo de encomenda de quatro corvetas. É uma licitação da ordem de US$ 2 bilhões e a Thyssenkrupp Marine foi selecionada na "short list" - três escolhidos entre nove candidatos. Deverá sair no decorrer do primeiro semestre. A empresa firmou parceria com um estaleiros de Santa Catarina e com a Embraer, na área de sistemas eletrônicos de defesa e combate.

No Brasil, que responde por 75% a 80% das vendas realizadas na América do Sul, a companhia tem 8,2 mil funcionários. Dos 13 países da região, outros que são relevantes no grupo são Chile, Peru, Colômbia e Argentina.

Fonte: Valor

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