Mesmo com preços em queda, o petróleo deve trazer, em 2019, nova e importante injeção de recursos na economia, segundo analistas. O aumento da produção brasileira da commodity, puxado pela exploração dos campos do pré-sal, deve garantir ao setor público, ano que vem, recursos em royalties e participações especiais ainda maiores que os de 2018. Na balança comercial, o petróleo bruto deve trazer superávit menor, mas ainda assim relevante.

O petróleo deve render no próximo ano R$ 55,99 bilhões em royalties e participações especiais para o setor público, com alta de 15% sobre os R$ 48,64 bilhões projetados para 2018, segundo as projeções mais recentes do Centro Brasileiro de Infraestrutura (CBIE). Adriano Pires, diretor da entidade, lembra que o volume de recursos é considerável, já que os recebimentos em 2018 representam um aumento de praticamente 60% em relação aos R$ 30,47 bilhões distribuídos no ano passado.

O avanço de produção no ano que vem, calculado em mais de 13% em relação a 2018, deve compensar o efeito de queda de preço que a commodity pode registrar, avalia Pires. “O aumento de produção nos torna menos reféns do preço do barril.”

 

O salto no valor dos royalties deste ano, destaca Pires, resultou do crescimento das três variáveis que influenciam nessa arrecadação: volume de produção, preço do petróleo e taxa de câmbio. Em 2018, diz o executivo, a produção deve ficar em 2,87 milhões de barris ao dia, com alta de 5% em relação à quantidade do ano passado. O preço médio de 2018, com as elevações experimentadas pela commodity no decorrer do ano, diz Pires, deve fechar 2018 em US$ 73,13 o barril, valor bem acima dos US$ 54,15 por barril de 2017.

A CBIE projeta taxa de câmbio média de R$ 3,60 em 2018 ante US$ 3,20 em 2017. Foram considerados os preços do petróleo brent, referência para a Petrobras.

Diferentemente deste ano, em que todos os fatores ajudaram na “explosão da arrecadação de royalties”, para o ano que vem Pires destaca o volume de produção como principal variável. A exploração do pré-sal, diz ele, com produção muito maior do que o anteriormente esperado, deve contribuir fortemente para manter o nível alto e crescente de royalties e participações em 2019, embora em variação menor.

A produção total deve aumentar 13,86%, para 3,27 milhões de barris ao dia. Para o valor de royalties, Pires considerou o barril a US$ 71,92 na média de 2019 e dólar médio a R$ 3,70.

Pires diz não acreditar que o preço médio caia para valores abaixo de US$ 60 o barril em 2019. Ele explica que, dada a volatilidade dos preços de petróleo, as projeções da CBIE são feitas levando em conta horizontes de quatro a cinco anos.

“De qualquer forma, para o ano que vem, num intervalo maior, os preços do petróleo devem ficar entre US$ 65 e US$ 75 o barril.”

Para ele, apesar da perspectiva de alguma desaceleração de economias importantes em 2019, há ainda muita tensão geopolítica em razão de políticas controversas de importantes lideranças mundiais, como Donald Trump, nos Estados Unidos, e Vladimir Putin, na Rússia. Essa tensão, diz, pressiona para cima o preço da commodity.

“Alguma medida do Trump em relação ao Irã a qualquer momento pode fazer o barril do petróleo chegar a US$ 80.”

Tudo indica, acrescenta ele, que será possível chegar a 2022 com produção de 4 milhões de barris ao dia. “A produção do pré-sal está muito maior do que se imaginava anteriormente. Há poços que rendem 50 mil barris/dia”, diz Pires.

Segundo ele, a referência que se tinha era a da produção mexicana do pré-sal, de 15 mil barris/dia. “Hoje a média brasileira é de 45 mil barris/dia.”

A maior produtividade, avalia o diretor da CBIE, explica o sucesso dos leilões no setor de petróleo. Segundo dados da Agência Nacional de Petróleo (ANP), o valor arrecadado em leilões este ano foi de R$ 17,98 bilhões. No ano passado, foram R$ 9,95 bilhões.

Para Pires, a recente queda do preço do petróleo não deve afetar o interesse dos investidores exatamente em razão do aumento de produção. “O aumento do volume torna mais barato o custo da exploração e mais atraente o negócio.”

Para o economista Maurício Canêdo Pinheiro, professor da Escola Brasileira de Economia da Fundação Getulio Vargas (FGV), do ponto de vista da indústria, as bruscas oscilações de curto prazo nas cotações do petróleo não preocupam. A questão é se a queda dos preços vai se manter.

“Esse mercado é muito complexo e os ciclos de investimento são muito longos. Entre ganhar o direito de exploração de uma área e começar a operar, se vão sete, oito anos”, exemplifica. As oscilações podem prejudicar empresas com restrição de caixa no curto prazo, porém.

Tudo mais constante, Pinheiro vê possibilidade de desaceleração nos preços do petróleo no ano que vem, por causa de uma economia mundial mais fraca, mas nada muito além do já visto até agora. “Não acho que será uma queda tão profunda quanto a que vimos depois que o petróleo superou os US$ 100, anos atrás”.

Na balança comercial, a expectativa é que o petróleo bruto continue gerando superávit para o Brasil em 2019, embora menor que o deste ano, segundo projeções da Associação de Comércio Exterior do Brasil (AEB). O saldo positivo deve cair de US$ 20 bilhões neste ano para US$ 16 bilhões em 2019, diz José Augusto de Castro, presidente da entidade.

Pelas projeções da AEB, o volume exportado de petróleo no ano que vem deve ficar parecido com o de 2018. Castro lembra que a quantidade embarcada saltou de 42 milhões de toneladas de 2016 para 52 milhões de toneladas no ano passado. “Neste ano deve ficar em 62 milhões de toneladas, o que deixa pouco espaço para crescer no ano que vem”, diz.

O ganho de produção, segundo Castro, deve atender em boa parte o mercado doméstico, com a expectativa de melhora da economia. O preço de embarque, projeta, deve cair de US$ 460/tonelada em 2018 para US$ 330/tonelada em 2019.

Na importação, Castro estima volume praticamente estável, de 9,9 milhões em 2018 e de 10 milhões em 2019, com preços que devem cair de US$ 520/tonelada neste ano para US$ 450/tonelada em 2019. “Os preços de exportação ou de importação diferem em razão da qualidade do petróleo.”

Fonte: Valor

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