Uma iniciativa que conseguiu reunir 50 universidades e centros de pesquisa quer diminuir a distância entre a inovação desenvolvida na academia e o mercado.

Com base em uma plataforma online e de eventos presenciais, executivos poderão conhecer mais de 1.500 projetos patenteados ou que buscam sua patente e foram desenvolvidos nessas instituições.

Chamado 100 Open Techs, ele é realizado em parceria da 100 Open Startups, companhia que conecta grandes empresas a startups, e da Rede Inova São Paulo, que reúne as áreas de transferência de tecnologia de universidades do estado. Escolas de outras regiões se associaram a ele.

 

Bruno Rondani, fundador da 100 Open Startups, diz que, apesar de haver muita inovação na academia, há barreiras que impedem que ela chegue às empresas que poderiam impulsionar seu desenvolvimento e sua transformação em produtos ou serviços.

Em sua avaliação, são poucos os canais de contato entre universidades e companhias, o que faz a busca de tecnologias pelo setor privado ser uma tarefa árdua.

"Encontrar coisas interessantes depende de cavar, querer muito, construir relações de longo prazo."

Rondani explica que os centros participantes do programa, incluindo USP (Universidade de São Paulo), UFMG (Universidade Federal de Minas Gerais), Uerj (Universidade Estadual do Rio de Janeiro), Instituto Butantã e Embrapa, foram responsáveis por definir os projetos do programa.

As tecnologias ficam disponíveis online para os 15 mil executivos de 820 empresas cadastrados para procurar oportunidades.

Esses profissionais devem indicar, entre os projetos cadastrados, quais têm interesse em conhecer mais a fundo.

Os cem projetos que chamarem mais a atenção terão seus responsáveis convidados a participar de encontro com as grandes empresas durante o evento Inova Campinas, na Unicamp, durante os dias 24 e 25 deste mês.

Lá, serão avaliados e será feito um ranking.

Rondani diz acreditar que a informação sobre qual tecnologia o mercado busca irá fomentar o desenvolvimento de parcerias e novas startups. Cientistas participantes do programa veem nele uma boa vitrine para suas pesquisas.

O professor Marcelo Lancellotti, 42, da Faculdade de Ciências Farmacêuticas da Unicamp, conta ter feito 15 depósitos de patentes desde 2011.

Entre as inovações estão uma vacina contra o vírus da zika, que ele diz acreditar que precisará de ao menos cinco anos para estar pronta para comercialização, e cosméticos baseados em nanotecnologia.

Porém ainda não houve oportunidade de licenciar o resultado das pesquisas para empresas.

Segundo Lancellotti, há resistência do mercado em relação aos projetos desenvolvidos na universidade.

"Os pesquisadores mais velhos talvez tivessem pouco interesse em trabalhos não acadêmicos. As empresas devem achar que são todos assim, precisam perceber que isso mudou", diz.

O professor Henrique Marques de Souza, 41, do Instituto de Biologia da Unicamp, conseguiu apoio da empresa Tropical Melhoramento Genético para financiar sua pesquisa para desenvolver métodos de combate a pragas sem o uso de defensivos agrícolas.

Isso é feito com base em técnica de silenciamento de genes. Em um dos métodos usados pela companhia, são inseridas em plantas moléculas que, ao serem ingeridas, inibem a ação de insetos, sem gerar prejuízo a outros organismos, explica.

O contato com a companhia veio após publicação de um artigo científico. A participação em eventos pode ser mais um canal de aproximação, diz.

Na avaliação de Souza, é importante que pesquisadores, universidades e empresas percebam os benefícios de uma relação mais próxima.

Ele diz ser comum que pesquisadores saibam do potencial de sua ideia, mas não tenham expertise para torná-la um produto ou serviço que seja atraente para o mercado. Empresas podem se beneficiar aliando-se a eles.

Fonte: Folha SP

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