O Irã e a Venezuela, membros da Opep, podem perder quase 30 por cento de suas produções de petróleo no ano que vem devido a sanções dos EUA e à turbulência econômica, exigindo oferta extra dos membros do Golfo do grupo, afirmou a Agência Internacional de Energia.

Em sua primeira projeção detalhada para 2019, a AIE informou que a nova produção de petróleo de fora da Opep — em especial do xisto dos EUA — deve ser suficiente para cobrir o crescimento da demanda, mas países como a Arábia Saudita ainda podem precisar ampliar a produção para compensar a oferta perdida de outros membros.

A Organização dos Países Exportadores de Petróleo se reunirá na semana que vem para debater se deve restaurar a produção interrompida no ano passado. A AIE, que supervisiona o uso dos estoques emergenciais de petróleo em grandes economias como EUA e Japão, fez uma declaração importante em seu relatório mensal a respeito de sua disposição para evitar interrupções na oferta.

 

“Mesmo que o déficit de oferta do Irã e da Venezuela seja eliminado, o mercado terá um equilíbrio delicado no ano que vem e estará vulnerável a aumentos maiores de preços em caso de novas interrupções”, afirmou a agência com sede em Paris. “É possível que os poucos países com capacidade excedente acima da que pode ser ativada rapidamente tenham que fazer um esforço adicional.”

Debate contencioso

A Opep enfrenta forte pressão política em um momento em que o aumento do petróleo ao maior patamar em três anos, acima de US$ 80 por barril, gera alertas de ameaça à economia global e atrai críticas do presidente dos EUA, Donald Trump. A Arábia Saudita afirma estar pronta para moderar os preços por meio de uma oferta maior, o que prepara o cenário para um confronto com outros membros da Opep na reunião de Viena, em 22 de junho.

A diplomacia americana está aumentando a pressão sobre o reino com a decisão do presidente Trump de impor sanções novamente ao Irã, inimigo político da Arábia Saudita, o que quase certamente restringirá a oferta global de petróleo.

A produção iraniana pode ser reduzida no ano que vem em cerca de 900.000 barris por dia, ou em torno de 23 por cento, informou a AIE. A agência destacou que a estimativa é um “cenário” e não uma previsão, baseado no impacto das sanções anteriores.

Na Venezuela, onde a produção já atingiu o menor nível em décadas em um momento em que a crise econômica castiga a infraestrutura petrolífera, a produção pode cair mais 550.000 barris por dia, ou 40 por cento.

Os produtores do Oriente Médio da Opep, liderados pelos sauditas, são capazes de preencher essa lacuna “a curto prazo” com um adicional de 1,1 milhão de barris por dia se voltarem aos níveis recorde bombeados em 2016. No ano que vem, eles podem ter que ir ainda mais longe.

Em teoria, responder ao crescimento da demanda mundial por petróleo no ano que vem não deveria ser problema, considerando que a produção de petróleo de xisto dos EUA continua subindo. O consumo aumentará 1,4 milhão de barris por dia em 2019, mesmo ritmo deste ano, e os produtores de fora da Opep adicionarão 1,7 milhão por dia, segundo a AIE.

Contudo, com o declínio do Irã e da Venezuela, a manutenção dos níveis de oferta totais exigirá um esforço extra de sauditas e outros membros do Golfo da Opep. Os estoques de petróleo dos países desenvolvidos atingiram o menor patamar em três anos e encolherão ainda mais se os países do Golfo mantiverem a produção estável, informou a AIE.

Fonte: Bloomberg News

 

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