A Petrobras vai lançar até janeiro um edital de arrendamento das fábricas de fertilizantes nitrogenados localizadas na Bahia e em Sergipe, o que poderá evitar o fechamento definitivo das unidades, apurou o Valor. O prazo foi acertado com os governos estaduais e federações de indústrias, que tentam evitar o desligamento das fábricas agora previsto para 31 de janeiro. Empresas químicas nos dois Estados utilizam como matéria-prima amônia e gás carbônico produzidos pelas Fafens.

Ao mesmo tempo, a estatal segue trabalhando em conjunto com clientes para garantir o acesso aos insumos a partir de outras regiões do país ou do exterior, caso a única alternativa seja parar as unidades. Na Bahia, a expectativa é que os ajustes necessários para importação de 100% das necessidades de amônia estejam concluídos até o fim de janeiro. Para o Comitê de Fomento Industrial de Camaçari (Cofic), porém, o tempo é apertado e o polo, onde estão instaladas empresas como Braskem, Oxiteno e Unigel, defende que a hibernação ocorra somente em 2020.

“O prazo é apertado. Dezoito meses a partir de outubro seria um prazo razoável”, diz o superintendente geral do Cofic, Mauro Guimarães Pereira. A notícia de que a Petrobras avalia arrendar as Fafens surpreendeu, de acordo com o superintendente, mas não está claro se o processo seguirá adiante ou como vai ocorrer. “Conhecemos a ideia, mas não os detalhes”, diz. Segundo fontes do setor, a possibilidade de arrendamento foi levantada há poucos dias e a estatal precisará de algumas semanas para trabalhar no edital.

 

Em comunicado da última terça-feira, sobre nova prorrogação para hibernação das unidades, a Petrobras informou que era preciso mais tempo para a “conclusão da análise das alternativas”, entre as quais um “possível processo de arrendamento das fábricas a terceiros”. Conforme uma fonte, como a sugestão foi apresentada recentemente, o processo ainda é embrionário e não há potenciais interessados mapeados.

O plano de hibernação das duas fábricas foi anunciado inicialmente em março e seria consumado até o fim do primeiro semestre. Diante do pedido dos governos estaduais e indústria para que houvesse mais tempo para a adoção de medidas alternativas, que garantam o suprimento de matérias-primas à indústria local, a data de hibernação foi postergada para 31 de outubro. Agora, a Petrobras estabeleceu mais três meses de prorrogação.

Na avaliação do presidente-executivo da Associação Brasileira da Indústria Química (Abiquim), Fernando Figueiredo, a decisão de fechar as fábricas de fertilizantes é absurda, uma vez que o Brasil é importador desses insumos e o prazo de três meses é curto para que se chegue a uma solução efetiva. “Mas a decisão de adiar é acertada e a Petrobras indicou que não faria nada abruptamente”, ponderou.

Procurada, a estatal informou em nota que “está envidando todos os esforços na busca por uma solução para as fábricas de fertilizantes na Bahia e em Sergipe, junto com o grupo de trabalho integrado pelos governos e federações da indústria dos dois estados”. “Há iniciativas de ordem tributária e logística em estudo, dentre outras. Como a companhia já anunciou, verifica-se também a possibilidade de arrendamento”, acrescentou.

A decisão de desligar as unidades levou a companhia a reconhecer uma baixa de ativos (“impairment”) de R$ 1,3 bilhão no balanço de 2017. Naquele ano, as duas Fafens tiveram prejuízo de cerca de R$ 800 milhões.

Conforme Pereira, a indústria respeita a decisão empresarial da Petrobras, mas gostaria de uma solução mais adequada para o suprimento de amônia, que é fornecida continuamente por meio de dutos que saem da Fafen-BA. Após investimentos realizados pela estatal para reversão de dutos que eram usados para eventuais exportações do produto, já é possível importar o equivalente a 60% da demanda.

Agora, conforme Pereira, Petrobras e empresas tentam chegar a um acordo sobre os investimentos para implantação de um sistema de aquecimento que possibilite importações mais robustas de amônia, chegando a 100% das necessidades. “Há algumas opções, mas não existe um documento formal sobre esse projeto”, diz o superintendente do Cofic. “Ainda estamos negociando quanto cada um terá de investir”. Enquanto a capacidade de recebimento de amônia importada não é ampliada, a saída é levar o produto do Estado de São Paulo para a Bahia por rodovia. Além de encarecer o custo final, o fator segurança joga contra essa alternativa, diz Pereira.

Fonte: Valor

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