O valor de mercado da Petrobras ultrapassou o da Ambev no pregão desta quinta-feira (10) na B3, fazendo com que seja a empresa mais valiosa em termos absolutos da bolsa brasileira.

Pouco antes das 11h, as ações preferenciais registravam um valor total de R$ 346,4 bilhões. Os papéis da Ambev valiam R$ 342,5 bilhões.

A estatal era líder em termos de valor de mercado até setembro de 2014. A última vez em que ela atingiu o valor de R$ 346 bilhões foi em abril de 2011.

 

Ainda assim, o valor de mercado da Petrobras representa um pouco mais de uma vez seu patrimônio líquido no fim do primeiro trimestre. Já a Ambev vale quase sete vezes seu patrimônio.

Disparada

Hoje, em 50 minutos de negócios, o papel PN já tinha giro de R$ 603 milhões. Ontem (9), essa ação negociou R$ 2,830 bilhões e, na véspera (8), R$ 1,849 bilhão. 

Segundo profissionais, a melhora das condições operacionais e financeiras da empresa permite que as ações acompanhem a valorização recente do petróleo. A percepção de que a companhia retomou uma condição de “normalidade” está atraindo novos investidores e também encorajando fundos a ampliar posições nesse papel.

Desde março de 2014, com o início da Operação Lava-Jato da Polícia Federal, a estatal e seus antigos gestores têm enfrentado uma série de denúncias de corrupção e desvio do dinheiro público.

Para a disparada de hoje, teve peso relevante a elevação da recomendação do Bank of America Merrill Lynch (BofA) para a compra do papel, em relatório assinado pelo analista Frank Mcgann - profissional bastante respeitado pelo setor.

“A Petrobras pode estar voltando para o radar do investidor global estrangeiro, depois de alguns anos”, afirma um gestor.

Na esteira dos maiores preços de petróleo e com a maior exposição da empresa a esse movimento, o BofA decidiu elevar sua recomendação sobre as ações da Petrobras, de neutra para compra. O preço-alvo subiu para R$ 35, vindo de R$ 26 para os papéis ordinários e de R$ 27,20 para os preferenciais.

Para o BofA, o cenário está muito mais favorável para que a estatal volte a uma saúde financeira mais robusta dentro de um a dois anos. Mesmo sem nenhuma venda adicional de ativos, no máximo até o fim do ano que vem a companhia poderia atingir uma alavancagem de 1,5 vez — no índice de dívida líquida sobre lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização (Ebitda) —, diz o relatório.

“Com recursos de vendas de ativos, que podem ser altos, o perfil de risco da companhia melhoraria ainda mais rápido”, comenta Frank McGann, no texto. Há outro fator que poderia impulsionar os papéis, acrescenta, que é um desfecho favorável do acordo de cessão onerosa.

Mercado

Esse ambiente está mais positivo porque a estatal mudou a política de preços dos combustíveis e agora o resultado acompanha mais o desempenho do petróleo, seu principal produto. Com a expectativa de que o mercado internacional da commodity caminha para um déficit, as previsões estão maiores para a cotação do petróleo.

O BofA elevou sua estimativa para o barril do tipo Brent em 2018, de uma média de US$ 64 para US$ 70,30. Em 2019, esse cálculo foi de US$ 60 para US$ 75. No caso do WTI, a referência americana, as elevações foram de US$ 60 para US$ 65 e de US$ 56 para US$ 69, respectivamente.

“Nos próximos 18 meses, acreditamos que o equilíbrio entre a oferta e a demanda mundiais de petróleo vai ser maior, com o colapso da produção venezuelana”, escreve McGann. “Há também riscos maiores vindos das exportações iranianas”, acrescenta. O banco acredita que faltará 630 mil barris por dia no mundo neste ano e 300 mil barris no próximo.

Só de mudar suas perspectivas para o Brent e o WTI, o BofA aumentou em 12% as projeções de receita líquida em 2018, para R$ 368,32 bilhões, e em 6% as de Ebitda, para R$ 121,87 bilhões. As estimativas de lucro subiram em 9%, para R$ 27,33 bilhões.

Fonte: Valor

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