A Petrobrás nunca foi tão valorizada pelo mercado financeiro quanto neste ano. Em bolsa, atingiu nesta terça-feira, 08, cotação recorde de R$ 312,5 bilhões. Os sinais de superação da crise também se refletem no resultado financeiro de janeiro a março – lucro de R$ 6,9 bilhões. Esse foi o melhor desempenho trimestral desde 2013, quando a existência de um esquema de corrupção envolvendo funcionários, fornecedores e políticos ainda era desconhecida.

 “A Petrobrás é uma empresa muito diferente daquela que existia quando as coisas da (Operação) Lava Jato aconteceram”, disse o presidente da companhia, Pedro Parente, ao divulgar as demonstrações contábeis.

Denúncias de desvio de dinheiro público vieram à tona em 2014 e levaram a estatal a reconhecer perda de R$ 6 bilhões com o superfaturamento de projetos. Até então, a Petrobrás tinha um valor de mercado de R$ 310 bilhões. Com o avanço das delações premiadas, insegurança política e descrença quanto à sua capacidade de pagar dívidas, além da queda do preço do petróleo, seu valor de mercado despencou. No pior momento, em janeiro de 2016, chegou à mínima de R$ 67,8 bilhões. 

 

Passados quatro anos de reestruturação interna, corte de custos e venda de ativos, a Petrobrás voltou a contar com a confiança dos investidores. Neste início de ano, eles já pagam pela ação valor equivalente ao do período pré-crise. “Com esse resultado, consolidamos a trajetória de recuperação da Petrobrás”, afirmou Parente. 

As contas do primeiro trimestre deste ano foram marcadas, principalmente, pelas oscilações do preço do petróleo. O lucro subiu 56%, comparado a igual período do ano passado, na mesma proporção que a alta da commodity negociada na Europa, de US$ 53,8 para US$ 66,8 por barril. O cenário externo também ajudou a empresa a aumentar os ganhos com a exportação de petróleo, combustíveis e gás natural. E a estatal ainda contou com a entrada de R$ 3,2 bilhões pela venda de três campos no pré-sal da Bacia de Santos – Lapa, Iara e Carcará. 

Refino. A má notícia partiu da área de refino, responsável pela produção de derivados, alvo do plano de desinvestimento da companhia. Com a matéria-prima mais cara e a concorrência de importadores e de produtores de etanol, o volume e as margens de venda de gasolina e óleo diesel caíram.

Esse foi, segundo relatório do JPMorgan, o “ponto fraco” do resultado do primeiro trimestre. Em teleconferência com analistas de mercado, no entanto, o diretor de Refino e Gás Natural, Jorge Celestino, garantiu que a tendência para os próximos meses é de recuperação. 

“Esperamos que a Petrobrás entregue melhores resultados operacionais, impulsionados pela contínua redução de custos e pela recuperação da participação no mercado doméstico de combustíveis em 2018, particularmente durante o segundo semestre de 2018”, disse o Itaú BBA, em relatório. 

A produção de petróleo e gás no trimestre foi de 2,68 milhões de barris de óleo equivalente por dia, dos quais 2,58 milhões no Brasil, 4% menos do que no primeiro trimestre de 2017. 

Neste ano, com o lucro do primeiro trimestre, a Petrobrás vai remunerar os acionistas em R$ 652 milhões. A metade desse dinheiro vai para a sua controladora, a União. Desde 2014, a empresa registra prejuízos anuais consecutivos e, por isso, não paga dividendos aos investidores. Neste mês, o estatuto social foi alterado para permitir a distribuição trimestral. Um acerto de contas será feito após a divulgação das contas completas de 2018, que deve acontecer no ano que vem. 

Fonte: Estadão