O engenheiro Pedro Parente sempre foi conhecido entre políticos, executivos de grandes empresas e operadores do mercado financeiro como o melhor gestor de crises do Brasil. Mas, nos últimos 12 dias, viu-se no epicentro de uma crise que paralisou o país. Parente se tornou o alvo preferencial de parlamentares, ministros e políticos da oposição que tentavam fazer da Petrobras a responsável pela greve dos caminhoneiros.

Sua chegada à Petrobras, há exatos dois anos, foi amplamente comemorada pelo mercado. “Acabou a influência política na Petrobras”, afirmou Parente, no dia 1º de junho de 2016, na cerimônia de posse como presidente da empresa. Ele se tornou, assim, o fiador de uma blindagem da Petrobras, após a estatal ter sofrido perdas bilionárias com corrupção e congelamento de preços.

Sob seu comando, a Petrobras renegociou dívidas, lançou um ambicioso programa de venda de ativos, mudou a política de preços dos combustíveis — que passaram a ter oscilações diárias — e voltou a registrar lucro, atingindo no primeiro trimestre deste ano seu melhor resultado desde o início da Operação Lava-Jato. Essa política, no entanto, acabou sendo o estopim para a greve dos caminhoneiros, já que a recente alta do dólar e do petróleo fizeram o preço do diesel subir com força.

 

‘MINISTRO DO APAGÃO’

Antes de reorganizar as finanças da Petrobras, Parente se tornou conhecido dos brasileiros como o “ministro do apagão”. No auge da crise energética do governo Fernando Henrique Cardoso, em 2001, Parente era ministro-chefe da Casa Civil e foi deslocado do cargo para assumir o comando do gabinete interministerial que coordenou as ações para garantir o fornecimento de energia. Assim, coube a Parente ir a público, em entrevistas coletivas, explicar como funcionaria o complexo sistema de racionamento de energia, que funcionou entre julho de 2001 e fevereiro de 2002.

Fonte: O Globo