Com baixa presença de mulheres em posições de comando e cargos de chefia, a indústria do petróleo e gás reage para mudar esse cenário e aumentar a diversidade de gênero no setor. Várias iniciativas vêm sendo lideradas pelas mulheres, que cada vez mais abrem frentes para debater a questão e ocupar espaços. O tema foi levado para a Arena do Conhecimento, do Valor, evento paralelo à Rio Oil&Gas.

"Assunto propositalmente polêmico", avisa Cristina Pinho, vice-coordenadora da comissão de diversidade do Instituto Brasileiro do Petróleo, Gás e Biocombustíveis (IBP), moderadora do painel. "Mas um bem necessário", resposta uníssona dos palestrantes Adriana Carvalho, da ONU Mulheres, Agnes da Costa, presidente do conselho fiscal da Eletrobrás, e, em minoria entre as mulheres, André Clark, CEO da Siemens do Brasil.

"Precisamos, sim, de ações afirmativas. O mundo corporativo não gosta muito de falar de cota, não tem problema. O importante é cumprir a meta", diz Adriana, envolvida com a agenda de desenvolvimento sustentável e ações de empoderamento da mulher.

 

Agnes observa que existem no setor público (ministérios, organizações e empresas estatais) comitês e comissões de gênero, indicando o envolvimento com o tema. Explicou, contudo, que "mulheres em posição de liderança no governo seguem um pouco o calendário eleitoral, com riscos de mudanças". Diante dessa realidade e com base no curso Women and Power: Leadership in a New World, feito na Harvard Kennedy School, Agnes, junto com Renata Isfer, consultora jurídica, desenvolveu iniciativa não institucional de elaborar uma lista com nomes de mulheres capacitadas para assumir o cargo de ministra de Minas e Energia no próximo governo e tentar elevar o número de mulheres em funções de chefia no ministério. A lista será entregue aos presidenciáveis.

Nas grandes corporações, exemplo positivo vem da Siemens, que trabalha com metas de ampliação do número de mulheres em cargos de liderança na empresa. "Este ano chegamos a 24%, devendo crescer para 30% em 2019; 35% em 2020, até atingir 50% mais adiante. Temos ação afirmativa e metas", afirma André, convencido - "como pai de uma jovem de 24 anos e como executivo" - da necessidade urgente de se aumentar o espaço da mulher na sociedade. "O Brasil é um dos países de maior violência contra as mulheres. Como elite intelectual e social, temos obrigação de ser agente de mudança", disse. Segundo o CEO, a empresa se preocupa em sempre melhorar o ambiente feminino.

Adriana, da ONU Mulheres, mostra estatísticas: O Brasil é o quinto colocado em feminicídio. Segundo o Instituto Ethos, a participação de mulheres é de apenas 14% em comitês executivos de empresas, 11% em conselhos de administração - percentuais sem alteração em dez anos.

Da mesma forma não evoluiu a participação das mulheres em nível de gerência (30%). "Temos que mexer na demografia, mas também na cultura das empresas", diz Adriana, para quem a discussão deve incluir raça, etnia. Estudo da consultoria McKinsey revela que empresas com presença feminina tendem a ter melhor resultado financeiro. Quando a diversidade de gênero é acompanhada da pluralidade de etnias, o estudo diz que o resultado é ainda melhor.

As mulheres foram foco também do debate da Arena Valor do Conhecimento sobre networking: O que falta para as mulheres consolidarem sua rede? A comunidade feminina do óleo e gás está atenta à questão e tem consciência da necessidade de separar a rede pessoal da rede profissional.

O painel foi moderado por Ana Zambelli, uma das três mulheres que integram, desde abril, o conselho de administração da Petrobras, ao lado de oito homens. Segundo ela, "networking não é só conhecer alguém, trocar cartão". Para Andréa Lebre, da empresa Networker, é fundamental construir uma rede de relações de qualidade, criando um ambiente produtivo.

Anelise Lara, da Petrobras, e da Comissão Diversidade do IBP, destacou a dificuldade das mulheres em construir e alimentar networking profissional, apesar de elas serem bastante sociáveis. Para Andréa, esta é uma questão cultural. Ela explica que mulheres latinas são "relacionais", agregadoras e atuam mais à vontade em ambientes afetivos, sociais.

Já Pinar Yilmaz, geóloga da ExxonMobil, nos Estados Unidos, é bastante atuante na rede. "Todos conhecem Pinar, qual seu segredo?", pergunta Ana Zambelli. "Não há segredo, basta gostar de gente", diz ela, dando algumas dicas sobre comportamento em ambiente profissional. "A maioria trabalha para corporações quem têm poucas mulheres no topo. Faça seu trabalho da melhor maneira possível e conexões. Fale com seus colegas de atividades profissionais positivas, de bons projetos. Você está sempre sendo observada, e quando ocorrer a chance de uma promoção, seu nome poderá ser lembrado."

Fonte: Valor

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