A mineradora Vale registrou lucro líquido de R$ 5,753 bilhões no terceiro trimestre, queda de 19,4% com relação ao mesmo período do ano anterior. 

Desconsiderando fatores externos, como a variação cambial, porém, o lucro líquido recorrente da companhia subiu 21% no período, para R$ 8,309 bilhões.

O desempenho é resultado de vendas recordes de minério, com maiores prêmios sobre as cotações internacionais devido à alta qualidade da produção da companhia.

 

No balanço divulgado nesta quarta, o presidente da Vale, Fabio Schvartsman, diz que a mineradora vem se beneficiando de uma mudança estrutural nos mercados de minério.

"Somos a empresa de mineração mais bem posicionada para nos beneficiarmos do 'flight to quality' [a busca por qualidade], dada a crescente participação de produtos premium", afirmou. 

No ano, a Vale acumula lucro líquido de R$ 11,171 bilhões e lucro líquido recorrente de R$ 21,655 bilhões. 

A companhia passou a divulgar os dois indicadores para expurgar de seu resultado efeitos contábeis, principalmente da variação cambial —que no trimestre teve impacto negativo de R$ 2,968 bilhões no lucro líquido.

No terceiro trimestre, a Vale bateu recorde de produção de minério de ferro, chegando a 104,9 milhões de toneladas, e alcançou um teor médio de ferro de 64%, contra 63,8% no trimestre anterior.

A maior qualidade tem rendido preços melhores: os prêmios pagos pelo minério da companhia chegaram a US$ 11 por tonelada, contra US$ 4,2 por tonelada no mesmo período do ano anterior. Foi o maior prêmio já registrado pela companhia.

A Vale fechou o trimestre com receita líquida de R$ 37,862 bilhões, 32,4% acima do mesmo período do ano anterior. O Ebitda (indicador de geração de caixa) subiu 31,1%, para R$ 17,368 bilhões.

A empresa informou que o resultado do terceiro trimestre garante aos acionistas remuneração mínima de R$ 1,142 bilhões. No primeiro semestre, a Vale já havia anunciado distribuição de R$ 7,694 bilhões.

O retorno aos acionistas é uma das principais bandeiras da gestão de Schvartsman, que assumiu a companhia após um período de fortes investimentos e poucos dividendos, devido à queda das cotações internacionais.

Outra métrica perseguida pela gestão é a redução do endividamento líquido. No terceiro trimestre,a dívida líquida da companhia chegou a US$ 10,704 bilhões, próxima a meta de US$ 10 bilhões estabelecida para o fim do ano.

Os investimentos permanecem em baixa: foram US$ 692 milhões no trimestre, dos quais apenas US$ 123 milhões na execução de projetos —o restante foi gasto em manutenção.

SOLOBO

A Vale também informou nesta quarta-feira que aprovou investimentos de US$ 1,1 bilhão para a expansão da mina de cobre Salobo, de acordo com relatório de resultados do terceiro trimestre.

A mina Salobo, no Estado do Pará, começou suas operações em 2012 e produz cerca de 200 mil toneladas anualmente.

Maior produtora global de minério de ferro e níquel, a Vale já havia dito ter intenção de elevar a participação dos metais básicos em seus resultados, especialmente o níquel e cobre.

A companhia disse ainda que receberá da Wheaton Precious Metals um bônus variando de aproximadamente US$ 600 a US$ 700 milhões, depois de atingir determinadas metas de produção —anteriormente, a empresa assinou acordo para vender fluxos de ouro contido no concentrado de cobre produzido em Salobo.

A empresa afirmou ainda que aprovou investimento de manutenção de US$ 428 milhões no projeto Gelado, que recuperará aproximadamente 10 milhões de toneladas por ano de "pellet feed" com 64,3% de teor de ferro, 2% de sílica e 1,65% de alumina proveniente de barragens de rejeito no Complexo de Carajás, reduzindo custos e despesas operacionais.

O projeto do Gelado, segundo a empresa, "mostra a flexibilidade da nossa base de recursos, onde até mesmo os resíduos antigos são superiores em qualidade aos padrões da indústria".

Salobo III e Gelado iniciam suas operações no primeiro semestre de 2022 e segundo semestre de 2021, respectivamente.

Fonte: Folha SP

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