O investimento estrangeiro direto caiu 19% em nível global no ano de 2018 – 4% na América Latina –, afetado pelas políticas de repatriação de capitais lançadas pelo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, para estimular a economia interna, segundo um relatório apresentado nesta segunda-feira (21) pelas Nações Unidas.

O estudo, feito pela Conferência da ONU sobre Comércio e Desenvolvimento (UNCTAD) e na véspera da abertura do Fórum Econômico Mundial de Davos, mostra um terceiro ano consecutivo de baixa dos investimentos estrangeiros, que somaram um total de US$ 1,2 trilhão em 2018, frente a US$ 1,47 trilhão em 2017.

A baixa é, em todo caso, um pouco mais moderada do que a registrada há um ano, quando a queda anualizada foi de 23%, o que não evita que os níveis de investimento externo alcancem o ponto mais baixo da última década e se assemelhem aos dos anos imediatamente posteriores à crise financeira global de 2008.

 

O baixo investimento se deu especialmente nos países desenvolvidos, onde a entrada de capital estrangeiro caiu 40%, o que ainda foi mais significativo no caso da Europa (com uma queda sem precedentes de 73%), enquanto a baixa nos EUA foi de 18%.

Esta queda acentuada "se deve à repatriação de lucros acumulados por multinacionais americanas em países como Irlanda e Suíça", dois dos mais afetados pelas políticas de estímulo interno nos EUA, comentou o diretor de Investimento e Empresas da UNCTAD, James Zhan, ao analisar os números do relatório.

Os países em desenvolvimento registraram um ligeiro aumento do investimento estrangeiro, de 3%, até somarem US$ 694 bilhões, com China, Brasil e Índia entre os 10 maiores receptores destes fluxos de capital no ano passado, embora em EUA tenham ocupado.

A América Latina, no entanto, teve uma queda de 4% no investimento recebido no ano passado, atraindo US$ 149 bilhões, afetada sobretudo por fortes baixas na entrada de capitais em países como Brasil (-11%) e Colômbia (-21%).

Para 2019, segundo o relatório, a previsão é de recuperação dos níveis de investimento, já que, nas palavras de Zhan, "os níveis de 2018 foram baixos demais, afetados pela repatriação de lucros aos EUA, e foi comprovado que já está se reduzindo a partir do terceiro trimestre do ano passado".

Outro sinal para o otimismo, segundo a UNCTAD, é que apesar de o investimento estrangeiro geral ter caído em 2018, o dirigido a novos projetos (investimentos nos quais uma empresa entra em outro país desde a estaca zero) aumentou 29% no ano passado.

Segundo o analista das Nações Unidas, os mesmos riscos que afetam a economia global em 2019, como os conflitos comerciais e o "Brexit" (a saída do Reino Unido da União Europeia), também representam desafios para o investimento direto e podem pôr em dúvida as expectativas de aumento.

Fonte: O Globo

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