A economia aquecida aumentou a demanda brasileira por produtos do exterior e derrubou o saldo da balança comercial do País no primeiro semestre. O valor foi afetado ainda pela greve dos caminhoneiros, que prejudicou as exportações.

As exportações superaram as importações em US$ 30,1 bilhões, valor 17% menor do que o registrado no primeiro semestre do ano passado. Ainda assim, o saldo foi o segundo maior da história para o período, atrás apenas do primeiro semestre de 2017 – US$ 36,2 bilhões.

No primeiro semestre, as importações subiram 17,2%. A compra de bens de capital cresceu 53%, o que demonstra perspectiva de aumento na produção das indústria, já que são bens utilizados na fabricação de outros produtos. Junho foi o 11.º mês consecutivo de crescimento nas importações de bens de capital no País. 

 

As exportações aumentaram 5,7% de janeiro a junho, puxadas, principalmente, pela venda de produtos manufaturados, que subiu 9,1% enquanto produtos básicos tiveram alta de 4,6% e semimanufaturados, de 0,5%.

“Temos competitividade em alguns produtos importantes da nossa pauta de manufaturados, como aviões, máquinas e equipamentos e setor automotivo. É reflexo desse empenho exportador que vem crescendo ao longo dos anos”, completou o secretário de Comércio Exterior, Abrão Neto.

Para ele, a alta do câmbio ainda não se reflete no aumento das exportações, porque, como se trata de contratos de longo prazo, há atraso nesse impacto. “O aumento das exportações é a continuidade do que vínhamos observando desde 2017.”

A paralisação dos caminhoneiros no fim de maio ainda afetou as exportações nas duas primeiras semanas de junho. Enquanto a média das vendas ao exterior vinha acima de US$ 1 bilhão por semana, nas duas primeiras semanas do mês passado o valor médio foi de US$ 775 milhões. Nas duas últimas semanas de maio, a média foi menor, de US$ 670 milhões. “Já tivemos retomada nas exportações no fim de junho”, afirmou o ministro da Indústria, Comércio Exterior e Serviços, Marcos Jorge.

Nas importações, o impacto foi sentido na primeira semana de junho, quando o valor semanal passou da média de US$ 700 milhões para US$ 404 milhões. O número voltou ao patamar regular já na semana seguinte. Para o economista-chefe do banco Fator, José Francisco de Lima Gonçalves, a desaceleração da economia, combinada à desvalorização do real deve reduzir o vigor das importações. “A economia já não cresce como antes e isso tem impacto importante.”

Fonte: Estadão

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