Pouco tempo depois de encerrar um programa de venda de ativos que gerou R$ 7,4 bilhões nos últimos quatro anos e concentrou os negócios nas operações de maior rentabilidade nas Américas, o grupo Gerdau volta a investir em expansão. A primeira etapa do novo ciclo de investimentos será dedicada a aços especiais, com foco em veículos. "Dentro do nosso plano de futuro, vamos ser um player cada vez mais relevante na indústria automotiva", disse o presidente da companhia, Gustavo Werneck.

A siderúrgica anunciou ontem que vai investir R$ 550 milhões na usina de Pindamonhangaba, no interior de São Paulo, num primeiro passo para elevar a capacidade de produção desse tipo de aço de 600 mil toneladas para 1 milhão de toneladas por ano. Ao mesmo tempo, o investimento prepara a Gerdau para se tornar "protagonista" na transformação da indústria automotiva e permitirá o início de produção dos chamados "aços limpos", mais leves e resistentes e com aplicação em veículos elétricos e híbridos.

Conforme Werneck, o investimento na aciaria, com um novo sistema de lingotamento contínuo, corresponde ao primeiro sinal da empresa de confiança na retomada econômica no país. "É uma confirmação de que o Brasil retornará ao crescimento", afirmou. Em 2018, a companhia prevê investir R$ 1,2 bilhão, mas os valores tendem a crescer nos próximos anos, já que há mais projetos em estudo. Um deles é a reforma do alto-forno de Ouro Branco (MG), prevista para 2022. Neste momento, a equipe de engenharia trabalha no orçamento do projeto.

 

O negócio de aços especiais, concentrado no Brasil e EUA após venda de ativos na Espanha e Índia, respondeu por 16,7% da receita líquida do grupo no terceiro trimestre, com R$ 2,3 bilhões. As vendas, em volume, somaram 1,64 milhão de toneladas no ano.

Para 2019, a Gerdau enxerga crescimento "importante" nos mercados considerados prioritários e, mesmo que uma possível desaceleração da economia chinesa se confirme, a expectativa é que o impacto não seja sentido pelo aço no curto prazo. "Enxergamos um 2019 positivo. Acreditamos que, nos segmentos e regiões em que permanecemos [após o programa de desinvestimentos], o crescimento será importante e ajudará na evolução de resultados e rentabilidade já a partir de 2019".

No Brasil, com a recuperação do Produto Interno Bruto (PIB), a expectativa é de demanda mais forte no segmento de óleo e gás já no início do ano e continuidade da recuperação na construção civil residencial. A maior expectativa, porém, está relacionada à retomada das obras de infraestrutura. Com o novo governo brasileiro, isso deve ocorrer de maneira "mais intensa". "A expectativa é positiva quanto ao ciclo de investimento em infraestrutura no segundo semestre do ano que vem", comentou.

Segundo o vice-presidente de finanças da Gerdau, Harley Scardoelli, a guerra comercial entre Estados Unidos e China preocupa à medida que pode afetar o desempenho da economia global. "Nosso produto é altamente dependente do PIB e qualquer efeito indireto que isso tenha sobre as economias pode reduzir o potencial de crescimento do consumo do aço", afirmou.

Em 2019, a empresa vê manutenção da seção 232, com a qual o governo Trump justificou sobretaxa de 25% às importações de aço, que eventualmente poderia mudar de imposto para cota de importação. No geral, afirmou Scardoelli, a siderúrgica tem trabalhado para fortalecer a competitividade. "O nome do jogo é ser competitivo. Não dá para amenizar o fato que estamos mais protegidos com a venda de operações que eram mais suscetíveis", observou. "E como produzimos no país, para consumo no próprio país, diria que estamos em uma posição boa".

Sobre competitividade, e as críticas que o novo governo brasileiro tem feito aos subsídios à indústria, Werneck disse que a siderúrgica é uma "defensora visceral da competitividade da indústria brasileira" e não está em busca de ajuda do governo, mas de condições de competir de forma isonômica com produtores de outros países. A abertura comercial abrupta, por sua vez, pode matar a indústria brasileira, afirmou. Isso pode ser alcançado nos próximos anos se as reformas estruturais forem levadas adiante, disse.

Fonte: Valor

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