Seguindo o movimento crescente de aproximação das petroleiras globais com o setor de energias renováveis, a Petrobras também pretende se reposicionar e aumentar sua presença na área de energia limpa. A estatal brasileira assinou, nesta semana, um memorando de entendimentos com a francesa Total - e sua subsidiária Total Eren - para avaliar negócios conjuntos em energia solar e em eólica no Brasil.

O acordo marca uma reaproximação da petroleira com as renováveis. A empresa inaugurou seus primeiros e únicos parques eólicos em 2011 e seu único projeto de geração solar, em 2014, mas praticamente interrompeu seus investimentos no setor nos últimos anos. As iniciativas recentes da empresa na área se concentraram em alguns projetos de pesquisa e desenvolvimento. Em 2017, a estatal investiu R$ 52,4 milhões em P&D em tecnologias de baixa emissão, sendo R$ 11,4 milhões em solar e eólicas.

O diretor de estratégia, organização e sistema de gestão da Petrobras, Nelson Silva, destaca que, embora a companhia tenha se concentrado nos últimos dois anos em investir no pré-sal, com foco na sua reestruturação financeira, a petroleira nunca deu "um passo para trás" no seu interesse em renováveis.

 

O executivo lembra que o atual plano de negócios 2018-2022 da companhia já sinaliza para a estratégia de "desenvolver negócios de alto valor em energia renovável". E antecipa que o próximo planejamento estratégico da empresa, ainda em elaboração, dedicará mais atenção às energias renováveis.

"Nos últimos dois anos nos concentramos na área de óleo e gás, porque a situação financeira era difícil, mais estressada. A partir de agora daremos mais atenção ao assunto das renováveis. Não temos dotação orçamentaria ainda, porque ainda não identificamos as oportunidades, mas estamos sinalizando que temos interesse de crescer em participação na área de renováveis", disse Silva, ontem, em teleconferência com jornalistas.

O executivo explica que a parceria entre a Petrobras e a Total focará no desenvolvimento de projetos novos que ainda não saíram do papel (os "greenfields") - sem descartar totalmente a possibilidade de aquisições, se houver alguma oportunidade interessante. O diretor, porém, já antecipou que os ativos à venda pela Eletrobras não interessam.

Ainda segundo o executivo, Petrobras e Total miram oportunidades de investimento conjunto nos leilões de energia nova. "[A parceria] pode estar acoplada a oportunidades de 'bid rounds' [leilões]", afirmou.

Silva afirmou que a intenção inicial é começar a parceria explorando o potencial de renováveis em terrenos próprios da estatal localizados no Nordeste.

"Uma das particularidades da eólica é que tem que se ter uma área física, e nós temos áreas no Brasil? Não é que a gente fique circunscrito a isso, mas temos áreas com sinergia, no Nordeste, e podemos estudar alguma coisa que faça sentido para as duas empresas... Vamos começar a conversa por ai", disse Silva.

Ele explicou, ainda, que a parceria é voltada para desenvolvimento de negócios em solar e eólica em terra no Brasil, mas que a Petrobras também tem interesse em desenvolver projetos eólicos no mar. Nesse caso, a estatal pode buscar outros parceiros.

"Não excluímos eventuais parcerias na área eólica offshore. Poderemos buscar parcerias nessa área", afirmou o diretor.

A Petrobras possui quatro parques eólicos, que totalizam uma potência instalada de 104 megawatts, e uma unidade de pesquisa e desenvolvimento em energia solar fotovoltaica de 1,1 MW, ambos no Rio Grande do Norte.

Já a Total vem intensificando sua presença no mercado de renováveis nos últimos anos. A francesa atua em toda a cadeia da indústria solar fotovoltaica por meio da SunPower e da Total Solar. Em 2017, a petroleira adquiriu uma fatia indireta de 23% na Eren Renewable Energy (a Total Eren) e, este ano, concluiu a compra de 73,04% da Direct Energy. Só a Total Eren possui 950 MW em operação ou em construção no mundo. No Brasil, a empresa possui três usinas solares, sendo 25 MWpico em operação e 115 MWp em construção, segundo informações contidas no portfólio da empresa, no site.

A Total não é a única petroleira estrangeira a manifestar interesse no negócio de energia renovável no Brasil. A norueguesa Equinor (ex-Statoil) também entrou no mercado brasileiro, ao criar uma joint venture com a também norueguesa Scatec Solar para investir em solar no país.

Fonte: Valor

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