A proposta do setor industrial de criar o Ministério da Produção, Trabalho e Comércio, reunindo as pastas da Indústria, Comércio, Serviços e Comércio Exterior (Mdic) e do Trabalho não está enterrada, avaliam fontes da indústria. O projeto de união é alternativa à fusão do Mdic no superministério da Economia, comandado por Paulo Guedes, defensor ferrenho da incorporação.

A ideia da indústria, de criação do Ministério da Produção, Trabalho e Comércio, foi levada ao novo governo há três semanas, em Brasília, conforme antecipou o Valor, depois de uma reunião de empresários com o então candidato Jair Bolsonaro (PSL), no Rio. Na ocasião, foram apresentadas a ele estatísticas que demonstram a representatividade da indústria para a economia do país e a preocupação de o Mdic ser descaracterizado e perder seu papel.

O documento foi entregue ao ministro extraordinário, Onyx Lorenzoni (DEM-RS), futuro ministro-chefe da Casa Civil de Bolsonaro. A proposta de uma pasta única para capital e trabalho é encampada por dez entidades empresariais de vários setores da indústria de transformação: químico e petroquímico, aço, calçados, eletroeletrônico, máquinas e equipamentos, têxtil, automotivo, brinquedos e construção civil, e pela Associação de Comércio Exterior do Brasil (AEB).

 

Diferentes grupos do novo governo têm visões distintas sobre o tema. Enquanto a ala liderada por Lorenzoni defende um modelo semelhante ao proposto pela indústria, o grupo de economistas do entorno Guedes prefere que partes do Mdic e o Trabalho estejam unidos em uma supersecretaria da Produção e do Trabalho. Com sede em São Paulo, essa secretaria ficaria abaixo do Ministério da Economia.

Na quarta-feira, em entrevista à rádio Gaúcha, Onyx reiterou que há dois desenhos de equipe sob análise de Bolsonaro. O primeiro modelo unifica Produção e Trabalho em uma só pasta. "Se esse for o modelo escolhido pelo presidente, nós vamos ter a Secretaria de Políticas Públicas para o Emprego nessa estrutura. E a estrutura que cuida da questão sindical vai ser deslocada, a princípio, para o Ministério da Justiça", afirmou. Com esse formato, o superministério de Guedes cuidaria de comércio exterior. "E a outra parte do MDIC ficaria com a Produção", explicou Onyx. A segunda hipótese é unificar o Trabalho a uma pasta da Cidadania.

Segundo fonte do setor, a junção de Mdic e Trabalho é a que permite extrair as maiores sinergias, ao contrário da simples incorporação na Economia, com Fazenda e Planejamento, defendida por Guedes. O setor industrial estranhou que a Firjan (federação das indústrias do Rio de Janeiro) emitiu nota apoiando a proposta de fusão ao superministério.

Em encontro com representantes de sete das dez entidades da indústria que subscrevem a proposta entregue a Onyx, o vice-presidente eleito, general Hamilton Mourão, teria garantido que a decisão sobre a nova pasta será do presidente eleito. Até o momento, não há uma definição.

Integrantes da futura Casa Civil, destaca outra fonte, estão vendo com bons olhos o modelo que junta produção, trabalho e comércio. Defendendo, inclusive, a manutenção da área de Comércio Exterior do Mdic, que é cotada para se junta à superpasta da Economia. "Isso preocupa, porque é uma área com uma equipe altamente capacitada, que conduz as diretrizes da política de comércio exterior da indústria brasileira", avalia a fonte.

Na reunião com Mourão, que ocorreu na última sexta-feira no Rio, o eleito apresentou a visão do novo governo sobre economia e indústria, e agradou aos empresários. Necessidade de redução dos juros, de redução da carga fiscal e de melhor infraestrutura logística foram temas abordados. Ficou claro, porém, que a redução de impostos é tema para o futuro diante da situação crítica dos Estados. Há também grande preocupação com a retomada da economia no curto prazo e um olhar crítico em relação a tarifas aplicadas sobre as importações, que chegam a 35% em determinados setores, como têxtil e automotivo. 

Fonte: Valor

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