A participação brasileira nas exportações mundiais de café deverá subir para 32% neste ano, percentual muito próximo do patamar recorde de 32,3% alcançado pelo país em 2015, projetou o Conselho dos Exportadores de Café do Brasil (Cecafé). "Acredito que dá pra voltar ao patamar de 2015, com participação de 32% nas exportações mundiais em 2019", estimou o presidente da entidade, Nelson Carvalhaes, durante encontro com jornalistas ontem em São Paulo. Em 2018, o café do Brasil representou 28,1% das exportações mundiais, ante 26,3% no ano anterior.

A expectativa de aumento da participação do Brasil no mercado mundial se dá em meio a perspectivas de aumento do consumo. A demanda mundial por café somou 165,2 milhões de sacas de 60 quilos em 2018, alta de 2,16% ante 2017. "Tudo indica que até o fim de 2020 o mundo estará consumindo mais de 170 milhões de sacas de café por ano", projetou Carvalhaes.

Estimativa da Organização Internacional do Café (OIC) indica que o consumo poderá chegar a 222,16 milhões de sacas em 2030 se o crescimento se mantiver a uma taxa de 2,5% ao ano. Em cenário de crescimento menor, na faixa de 1,5%, o consumo poderá chegar a 197,5 milhões de sacas. "O Brasil vai precisar ter 80 milhões de sacas considerando o cenário mais positivo para 2030", calculou Carvalhaes.

 

Somando os dados de exportação e consumo doméstico, o Brasil tem 35% do mercado mundial de café, afirmou o presidente do Cecafé, "Neste ano devemos chegar a quase 36%. Caminhamos para 40%, o que é possível nos próximos anos", disse o dirigente.

Dados da Secretaria de Comércio Exterior (Secex) compilados pelo Cecafé mostraram que o Brasil exportou, no total (café verde, solúvel e torrado e moído), 35,2 milhões de sacas em 2018, 13,9% mais que em 2017. Desse total, 31,5 milhões de sacas foram de café verde, um incremento de 15% na comparação. A receita das vendas, porém, caiu 3%, para US$ 5,1 bilhões, por causa do câmbio e da queda dos preços em razão da oferta elevada. O preço médio da saca registrou baixa de 14,9%, para US$ 144,53.

Somando as exportações com o consumo em 2018, o Brasil demandou 58 milhões de sacas. "Contando que no primeiro semestre teremos uma performance boa, vamos entrar na próxima safra com 1 milhão ou 2 milhões de estoque e produção menor do que no ano passado, mas com exportações crescentes", disse Carvalhaes. "Assim, poderíamos estar com uma situação 10% melhor nas cotações internacionais."

Entre os principais destinos do produto brasileiro estão os Estados Unidos, que receberam 6,2 milhões de sacas, o equivalente a 17,6% das exportações nacionais. Considerando apenas o café verde, a Colômbia desponta com a importação de 466,3 mil sacas, crescimento de 7326,7%. O Brasil exporta para 123 países. "A Colômbia vem tendo crescimento no consumo interno. A dificuldade de manter mercado externo e consumo crescente explica a compra do café brasileiro", avaliou o diretor técnico do Cecafé, Eduardo Heron.

Para este ano, o Cecafé estima que as exportações deverão somar 37 milhões de sacas, o crescimento será de 5,11% ante a 2018. "Não seria difícil encerrarmos 2019 nesse patamar, sendo 95% desse total de café verde, algo entre 33 milhões a 34 milhões de sacas", disse Carvalhaes. "Tudo indica que teremos um bom desempenho em 2019, se tudo correr bem."

Fonte: Valor

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