Em meio às sinalizações de que a China poderá reabrir seu mercado à carne de frango dos Estados Unidos como parte das tentativas dos dois países de pôr fim a suas disputas comerciais, os exportadores brasileiros correm contra o tempo para fechar um acordo de preço mínimo com Pequim e, assim, derrubar as tarifas antidumping que incidem sobre a carne de frango brasileira. A taxa foi imposta em junho do ano passado.

A volta da carne de frango americana ao mercado chinês, quatro anos  após o país asiático vetar o produto devido a um surto de gripe aviária nos EUA, seria um grande um desafio para o Brasil, sobretudo se as tarifas antidumping, que variam dependendo da empresa exportadora, ainda estiverem em vigor.

Com a competição dos americanos, as tarifas poderiam afetar também a demanda pelo produto brasileiro, o que até agora não ocorreu, sobretudo porque Pequim não tem grandes alternativas de fornecimento. Os EUA são o segundo maior exportador de carne de frango do mundo. O Brasil é o maior.

 

No ano passado, as exportações brasileiras de carne de frango à China somaram 438,8 mil toneladas e renderam US$ 799,7 milhões, segundo dados da Secretaria de Comércio Exterior (Secex) compilados pelo Ministério da Agricultura.

Com isso, a China foi o segundo maior destino para a carne de frango brasileira no exterior, atrás apenas da Arábia Saudita. Os chineses responderam por cerca de 10% das exportações de carne de frango do Brasil. A China é um mercado extremamente relevante para a indústria escoar a produção de cortes pouco demandados no mercado doméstico, como pé de frango.

À agência Reuters, a sócia do escritório de advocacia MPA Trade Law, Claudia Marques, disse ontem que o Ministério do Comércio da China aceitou uma proposta feita pelos exportadores brasileiros para um acordo de preços mínimos. Os detalhes dessa proposta não foram divulgados. Procurada, a Associação Brasileira de Proteína Animal (ABPA) não respondeu.

Com o acordo, os frigoríficos brasileiros se comprometerão a não vender carne de frango para a China abaixo de um determinado valor. A intenção de Pequim é proteger a avicultura do país asiático.

Desde junho de 2018, a China aplica tarifas que variam entre 18,8% e 38,4%. Maior indústria de carne de frango do país, a BRF paga 25,3%. A Seara, subsidiária da JBS, paga 18,8%.

Embora os exportadores brasileiros tenham feito propostas, o acordo de preço mínimo (“price undertaking”) é uma condição imposta por Pequim.

Em junho, quando anunciou a aplicação das tarifas antidumping, já se sabia que os chineses pressionavam por um acordo do gênero. Na época, representantes dos exportadores brasileiros admitiam negociar com Pequim, mas temiam os termos da negociação.

Em geral, os acordos do gênero têm validade de cinco anos. Trata-se de um período muito longo. Se o preço for fixado na moeda chinesa, alterações no câmbio poderiam provocar grandes distorções, advertiu uma fonte da indústria ao Valor em junho do ano passado.

Fonte: Valor

 

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