O governo dos EUA pediu discretamente à Arábia Saudita e a outros produtores da Opep que elevassem a produção de petróleo em cerca de 1 milhão de barris por dia, segundo fontes a par do tema.

O pedido atípico aconteceu depois que os preços da gasolina no varejo americano subiram para seu maior valor em mais de três anos, e o presidente Donald Trump reclamou publicamente da política da Opep e do aumento dos preços do petróleo pelo Twitter. O pedido ocorreu na esteira da decisão de Washington de reimpor sanções às exportações de petróleo do Irã, que anteriormente chegavam a 1 milhão de barris por dia, pouco mais de 1% da produção global.

Apesar de os legisladores americanos habitualmente criticarem a Opep em momentos de altos preços do petróleo, e de o governo ter ocasionalmente incentivado o cartel a produzir mais, é incomum Washington pedir um volume de produção específico, segundo as mesmas fontes. Não está claro como a solicitação foi encaminhada.

 

O aumento da produção foi discutido em reunião de alguns ministros do Petróleo árabes no fim de semana na Cidade do Kuwait. Comunicado divulgado após as negociações falou em "assegurar que fontes de petróleo estáveis sejam disponibilizadas em tempo hábil para atender à crescente demanda e compensar o declínio em partes do mundo". Arábia Saudita e Rússia propuseram em maio aumento gradual da produção, sem apoio de outros membros.

Os contratos futuros de petróleo Brent caíram até 2%, para US$ 73,81 o barril em Londres, após a divulgação do pedido dos EUA.

"Parece que a Opec está nisso novamente", escreveu Trump em meados de abril, pelo Twitter. "Os preços do petróleo estão artificialmente muito altos! Não é bom e não será aceito!"

A Casa Branca não quis comentar sobre conversas específicas, mas um porta-voz do Conselho de Segurança Nacional dos EUA disse o acesso a energia confiável e acessível sustenta o crescimento global e a segurança do país. "Saudamos qualquer ação baseada no mercado que aumente o acesso à energia e fomente uma economia saudável", disse.

A Opep e seus aliados discutirão sua política de produção para o segundo semestre em reuniões previstas para 22 e 23 de junho, em Viena. O ministro saudita do Petróleo, Khalid Al-Falih, disse no mês passado que o reino compartilhava o "nervosismo" dos países consumidores com a alta do preço do petróleo, e acrescentou que a Opep e seus aliados "provavelmente" aumentarão a produção.

Fonte: Valor