O presidente Maduro (de punho erguido) divulgou ontem fotos buscando mostrar o apoio dos militares ao seu governo

Os EUA impuseram ontem novas sanções contra a estatal venezuelana Petróleos de Venezuela (PDVSA), num esforço para paralisar o governo do presidente Nicolás Maduro e para reforçar o poder da oposição no país. As medidas, que também atingem a Citgo, subsidiária da PDVSA nos EUA, entrarão em vigor nos próximos três meses e colocarão uma pressão formidável sobre Maduro.

O assessor de segurança nacional do presidente Donald Trump, John Bolton, disse que as medidas vão congelar US$ 7 bilhões em ativos e custar ao país US$ 11 bilhões em exportações perdidas nos próximos doze meses. O secretário do Tesouro, Steven Mnuchin, disse que as sanções terão um efeito mínimo sobre as refinarias americanas, mas isso não está claro ainda.

 

As sanções deverão ter impacto nos preços do petróleo, uma vez que os EUA ainda compram em torno de 500 mil barris por dia de petróleo venezuelano. O anúncio das medidas ocorreu após o fechamento do mercado.

Maduro reagiu as notícias dizendo que os EUA estavam buscando roubar a Citgo da Venezuela. "A PDVSA vai tomar as medidas legais, políticas, operacionais e comerciais para defender os interesses da Venezuela nos EUA", afirmou o presidente ao receber diplomatas venezuelanos que retornavam dos EUA.

As sanções ocorrem após o presidente Trump ter confrontado, na semana passada, o regime chavista ao reconhecer Juan Guaidó, de 35 anos, o presidente da Assembleia Nacional, como o legítimo chefe de Estado da Venezuela.

"A população da Venezuela se manifestou clara e corajosamente" contra Maduro, afirmou Trump na semana passada. Ele disse que usaria "todo o peso do poder econômico e diplomático dos EUA para pressionar pelo restabelecimento da democracia venezuelana".

Guaidó, que também conta com o apoio de muitos outros países, disse que seu governo vai assumir as contas externas do país para evitar a pilhagem dos ativos por Maduro e por membros de seu acuado governo. "Queremos impedir que o usurpador e sua gangue raspem o fundo do tacho e continuem a roubar o dinheiro venezuelano", afirmou Guaidó ontem.

O presidente da Assembleia Nacional disse que seu governo nomeará uma nova diretoria para a PDVSA e sua unidade americana, a Citgo. E acrescentou que os funcionários de ambas as empresas devem continuar em seus empregos.

O governo Trump vem examinando uma série de medidas, incluindo a restrição do fluxo de petróleo venezuelano para os EUA, em um esforço para aplicar um golpe duro ao suprimento de dinheiro do país e fortalecer Guaidó.

O secretário do Tesouro disse que a Citgo continuará a operar, mas a companhia não poderá remeter dinheiro ao regime de Maduro. Sua receita será mantida em contas bloqueadas nos EUA.

Mnuchin explicou que as refinarias americanas poderão receber pelo petróleo venezuelano que já foi pago e embarcado. E acrescentou: "Se o povo na Venezuela quiser continuar a nos vender petróleo, desde que o dinheiro vá para contas bloqueados, continuaremos a aceitar. De outra forma, não iremos comprar".

Segundo Mnuchin, algumas poucas refinarias americanas ainda utilizam o petróleo venezuelano, mas que essa dependência hoje é muito menor, em torno de "10% ou menos". "Muitos de nossos amigos no Oriente Médio ficarão felizes de compensar esse estoque."

Washington também fez gestão junto ao Reino Unido para que o Banco da Inglaterra (o banco central britânico) negasse ao governo Maduro acesso aos US$ 1,2 bilhão em ouro que a Venezuela tem na instituição em Londres. O Reino Unido, junto com o Canadá e a maioria dos países da América Latina, seguiu os EUA e reconheceu Guaidó como presidente interino da Venezuela. 

Fonte: Valor

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