Estudo do Boston Consulting Group (BCG) aponta diversas consequências negativas da tabela de frete rodoviário para o setor privado, avaliando que as implicações podem ser nocivas para os negócios no país. Elas resultam em aumento de preços para o restante da cadeia de produtos e para consumidores, "gerando uma tendência de queda de competitividade dos setores produtivos", diz o relatório do BCG, ao tratar de uma das decisões tomadas pelo governo em maio, então acuado pela greve dos caminhoneiros.

A manutenção da tabela estimula empresas a ter frotas próprias de caminhões, como já começa a ocorrer no setor agroindustrial, avalia o BCG. "Tal movimento, juntamente com a dificuldade de acesso a cargas que o caminhoneiro autônomo precisa enfrentar, pode apresentar um efeito reverso para essa categoria: o caminhoneiro autônomo até poderá contar com uma remuneração maior para cada frete com a tabela mínima, porém o nível de ociosidade será mantido ou mesmo aumentará", diz o estudo.

"O tabelamento está longe de ser a solução ideal", resume Thiago Cardoso, diretor do BCG especialista em infraestrutura. Ele observa que é muito complexo criar uma tabela de preços que contemple todas as situações de negócios. "É muito difícil estabelecer uma tabela objetiva que considere de maneira justa e adequada todas as peculiaridades que afetam o preço, tais como: consideração do frete de retorno, condições das estradas, tempo de carregamento/descarregamento, produtividade, diferenciação por qualidade/idade do ativo (caminhão)", nota o estudo, lembrando ainda que ela pode ser vista como fator de limitação de concorrência pelo Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade).

 

"Ela não corrige o problema e é ineficaz", diz Cardoso, reiterando que a medida pode aumentar o preço por viagem feita pelo caminhoneiro, mas, ao estimular o aumento da oferta, que já seria excessiva, há a perspectiva de maior ociosidade. "Quem deveria a priori ser beneficiado pela tabela pode no final das contas ser prejudicado", diz o estudo.

O relatório ressalta que o impacto da tabela de frete é muito significativo para as empresas que precisam ter a sua produção transportada. Cardoso diz que, no caso de uma empresa exportadora de grande porte do setor industrial entrevistada pelo BCG, a tabela do frete pode aumentar os custos em R$ 500 milhões por ano. "Nesse contexto, a verticalização das atividades de transporte se tornará mais atrativa", aponta o estudo, observando que essa opção "claramente demanda cuidados e envolve riscos", dado que implica na entrada dessas empresas num segmento historicamente caracterizado por alta informalidade e baixos retornos. "Algumas empresas do setor agroindustrial, um dos ramos mais impactados pela tabela, já anunciaram a compra de caminhões e a internalização parcial das atividades logísticas."

Segundo Cardoso, há companhias que já seguem a tabela, arcando já com um aumento de custo; outras não a cumprem, parcial ou integralmente, o que gera um passivo em potencial; e há algumas que já decidiram pelo menos em parte pela chamada verticalização, discutindo se vão comprar frotas próprias de caminhões ou se vão alugá-los.

Ao analisar as implicações para a economia, o estudo do BCG enfatiza que, "com a aplicação da tabela, há uma tendência de queda de competitividade dos setores produtivos e um aumento de preços para o restante da cadeia de produtos/consumidores". No caso de setores com forte dependência das exportações, como o agroindustrial, "o impacto pode atingir valores muito acima do simples aumento do frete".

A medida, desse modo, tem diversos problemas, causando vários efeitos colaterais indesejados. "Em resumo, acreditamos que a tabela apresenta uma complexidade grande de implementação, causa distorções no modelo competitivo existente e não resolve a causa raiz do problema, de atual excesso de capacidade de transporte rodoviário", diz o estudo do BCG. É mais um elemento a complicar a "já ineficiente cadeia logística do país".

Fonte: Valor

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