É uma consequência do degelo que pode revolucionar o frete mundial. Um porta-contêiner dinamarquês chegou a São Petersburgo na última quinta-feira (27), após cruzar o Ártico pelo norte, uma façanha para um navio dessas dimensões.

Antes, esta rota, chamada “passagem do norte-leste”, podia ser cruzada apenas durante umas poucas semanas do ano e por barcos de porte menor do que este cargueiro. Atualmente, é acessível durante mais tempo, devido ao aquecimento global.

Embora continue sendo difícil e custoso, a Rússia tenta desenvolver esta rota marítima, que permite que os navios ganhem quase 15 dias em relação à via clássica pelo Canal do Suez.

 

O novo navio Venta, do gigante dinamarquês do frete Maersk, de 200 metros de comprimento, transporta quase 36 mil contêineres. Depois de zarpar em 23 de agosto de Vladivostok, no extremo-oriente russo, o porta-contêineres completou a rota ártica em cinco semanas. Fez escala em Busan, na Coreia do Sul, antes de seguir para o estreito de Bering e se dirigir para Bremerhaven, na Alemanha, chegando nessa quinta à costa de São Petersburgo. Mas não pôde atracar ontem devido a fortes ventos.

Carregado de peixe congelado russo e de componentes eletrônicos coreanos, a embarcação esteve acompanhado durante o trajeto por quebra-gelos nucleares.

Até hoje, apenas as embarcações menores faziam essa rota – atualmente acessível de julho a outubro –, como os navios transportadores de metano quebra-gelo nucleares que levam para a Europa e para a Ásia o gás natural liquefeito (GNL) procedente da península russa de Yamal.

Para a Maersk, essa travessia é um “teste único”, que permitirá “estudar a viabilidade do transporte marítimo de contêineres pela rota marítima do norte e coletar dados científicos”, disse a porta-voz da Maersk, Janina Von Spalding.

Mas “atualmente, não consideramos a rota marítima do norte como uma alternativa comercial à nossa rede existente”, ressaltou, já que a rota é praticável apenas três meses por ano e o fato de precisar de um quebra-gelo para abrir caminho representa um “investimento adicional”.

Mudança climática

Apesar de suas reservas, o presidente russo, Vladimir Putin, convidou no início de setembro “todos os sócios interessados a desenvolverem essa rota promissora”.

Em seu projeto de orçamento 2019-2021, a Rússia deve investir mais de 40 bilhões de rublos (US$ 607 milhões) no desenvolvimento dessa via, com infraestruturas portuárias e construções de quebra-gelos nucleares. Em poucas décadas, a calota polar do Ártico perdeu quase metade da superfície.

Ruslan Tankayev, especialista na Câmara de Comércio e no Sindicato de Produtores de Hidrocarbonetos da Rússia, estima que, até 2050, “a rota será praticável o ano todo”, uma “bênção" para países como Rússia e Canadá. 

Fonte: A Tribuna

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