A candidata do PT à Presidência, Dilma Rousseff, disse ontem que as contas externas do país hoje, apesar do elevado déficit em transações correntes - o maior, em valores nominais, desde 1947 - são distintas e bem mais sólidas do que em períodos de governos anteriores. Para ela, o perfil da balança comercial modificou-se nos últimos anos, o que é bom para o país. "O déficit é provocado pelas importações e pela remessa de lucros. Se a importação for de bens de capital, não representa um problema. E a maior parte da nossa balança de serviços atual é composta por investimento direto e aplicações na bolsa", citou, antes de um encontro no Senado com o sindicato dos caminhoneiros.
Dilma destacou outro ponto de tranquilidade: as reservas cambiais de US$ 243 bilhões, que permitem "uma margem de manobra maior". Mesmo assim, a candidata petista defendeu política agressiva para aumentar as exportações, agregando valor aos produtos vendidos ao exterior sem esquecer um dos principais itens comercializados com o estrangeiro - as commodities.
Ela defendeu a retomada de uma política industrial que alie incentivos creditícios e tributários. Mas negou que a economia brasileira atravesse um momento de instabilidade. "A situação externa do Brasil não é de crise. Nossos números estão robustos", disse.
No encontro com os caminhoneiros, ela afirmou que o Programa de Aceleração do Crescimento (PAC) recuperou décadas de atraso no planejamento público brasileiro. Citou números como a construção de 5 mil km de novas rodovias o recapeamento de outros 54 mil.
Dilma reconheceu que o Procaminhoneiro - linha de crédito do BNDES para a renovação da frota brasileira - está muito aquém do necessário para o país. De um total de 8 milhões de trabalhadores autônomos no setor, apenas 10 mil assinaram os contratos de financiamento, o que representa pouco mais de 0,1% dos caminhoneiros brasileiros.
"Sei que muitas instituições financeiras não entenderam essa política de financiamento, recusando-se a baixar os juros e a dar prazos mais longos para o pagamento. Estamos trabalhando para que o crédito chegue a todos vocês", prometeu.
Dilma fez pedido explícito de apoio do setor à sua candidatura. "Temos a certeza de que vocês não permitirão a volta da estagnação, da política de roda presa que colocou esse país no acostamento. Quero manter a rota junto com vocês."
O discurso da presidenciável foi facilitado por um ambiente favorável. Antes da intervenção de Dilma, o presidente do Movimento Brasil Caminhoneiro, Nélio Botelho, havia deixado claro o apoio dos caminhoneiros à petista: "A partir de hoje estão todas as nossas entidades e todos os nossos trabalhadores convocados para dar toda atenção que a senhora precisar. Pode contar com os caminhoneiros brasileiros."
A manifestação sem ressalvas foi justificada por críticas à gestão Fernando Henrique Cardoso que, segundo Botelho, "boicotou o setor". O sindicalista disse que o governo de Luiz Inácio Lula da Silva, no auge da crise econômica de 2008, foi essencial para evitar um prejuízo recorde para o segmento. Destacou, por exemplo, os esforços para evitar aumentos abusivos do óleo diesel. "Não foi uma mera questão de demagogia e sim, o trabalho de um governo que conhece a luta dos trabalhadores", ressaltou Nélio.
Para o caminhoneiro Dagmar Gass, filiado à cooperativa do Rio Grande do Sul e que circula ainda por Mato Grosso e Mato Grosso do Sul, um dos problemas que ainda precisa ser resolvido é o escoamento da produção nos portos brasileiros. Cita que o pior deles é o de Paranaguá, no Paraná. "As coisas melhoraram um pouco, antes ficávamos mais de 48 horas esperando uma autorização para descarregar. Hoje esperamos, em média, um dia, embora em alguns locais já ocorra agendamentos para evitar filas nas rodovias", completou Gass.
Além do encontro com os caminhoneiros no Senado, Dilma participou de uma homenagem ao vice-presidente José Alencar, na Câmara. Pela manhã, concedeu entrevista á Rádio Jovem Pan de Joinville (SC), destacando algumas obras de dragagem na região, que, depois de concluídas, poderão colaborar no combate às enchentes no Estado.
Apesar de o PT ter candidatura própria ao governo estadual - a atual líder do governo no Congresso, Ideli Salvatti - Dilma confirmou negociações com a pepista Ãngela Amin, na busca de um palanque único ou, pelo menos, de duas candidaturas da base que não representem problemas ao projeto nacional.
Outra novidade da campanha é que, desde ontem, o site de Dilma disponibilizará pequenas entrevistas, de cinco minutos, sobre temas específicos. O primeiro foi sobre Bolsa-Família e o assunto de hoje é Educação.

Fonte: Vaor Econômico/ Paulo de Tarso Lyra, de Brasília

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