A decisão da Vale de desativar as barragens de rejeitos construídas pelo método a montante atingiu em cheio o mercado à vista de minério de ferro. A commodity negociada no porto chinês de Qingdao subiu 4,88% ontem, para US$ 82,53 a tonelada, no maior patamar desde 24 de março de 2017.

O processo de descomissionamento das barragens deve durar de um a três anos e reduzirá em 10% a produção da empresa, ou 40 milhões de toneladas anuais. Com o impacto direto do desastre de Brumadinho (MG), o índice da "Metal Bulletin", que leva em conta o produto com teor de ferro de 62%, acumula alta de 13,47% desde o início de 2019. Apenas no primeiro dia de negociações após o rompimento, o minério já havia subido 4,67%.

Nos mercados futuros, os contratos do minério para maio subiram 5,58% em Dalian, para 587 yuans a tonelada, no maior nível em um ano.

 

Apesar da reação imediata de alta dos preços, a leitura é de que o impacto no médio prazo deve ser limitado, pois tanto a Vale quanto outras mineradoras podem suprir ao menos parte do corte de produção.

"O acidente aconteceu em um momento em que o minério de ferro marítimo já estava sob pressão. O preço de referência do minério com 62% de ferro estava sendo negociado a US$ 75 a tonelada antes do estouro da barragem, acima da projeção de US$ 70 a tonelada para os próximos três meses", destacou o Goldman Sachs em relatório.

No modelo do banco, se os 40 milhões de toneladas fossem completamente retirados do mercado, o preço da commodity poderia ir para US$ 95 a tonelada.

Entretanto, a perda líquida de produção deve ser menor. O Goldman destaca que a capacidade da Vale é de 450 milhões de toneladas e a empresa esperava 400 milhões de produção em 2019.

"Assim, [a Vale] teria flexibilidade suficiente para aumentar a produção em outros lugares para compensar as perdas no Sistema Sul, onde as barragens a montante estão localizadas", afirma o documento. "Em termos líquidos, esperamos uma perda de produção de 10 a 15 milhões de toneladas da Vale em 2019."

Além disso, para o curto prazo, a companhia também detém estoques de minério de ferro para formação de misturas (blends) em operações na Malásia e China, que podem amortecer o impacto na oferta.

Levando esses fatores em conta, o banco elevou as previsões do preço de minério em 2019 para US$ 80, US$ 70 e US$ 65 a tonelada, para três meses, seis meses e 12 meses, respectivamente.

Em comentário para clientes, o banco Commerzbank afirmou que considera exagerada a reação dos mercados ao desastre e ao corte de produção anunciado. "O mercado está ignorando o fato de que essa tonelagem deve ser feita por outras minas", lembra a instituição.

O BTG Pactual também acredita que o impacto sobre o minério de ferro deve ser principalmente no curto prazo. Os analistas do banco voltaram a afirmar que não descartam a possibilidade de que ele seja negociado a US$ 80 ou US$ 90 por tonelada por algum tempo. O preço assumido pelos analistas, mais conservador, é de US$ 70 por tonelada.

O segmento em que a paralisação deve ter o maior impacto é o de pelotas. A perda, nesse caso, é de 11 milhões de toneladas, cerca de 10% do mercado transoceânico. "Dado o alto custo e a defasagem de longo prazo na expansão da capacidade de pelotização, o prêmio de pelotas pode testar as altas de setembro de US$ 90 a tonelada", informa o Goldman Sachs. A oferta de pelotas já havia sido afetada pelo rompimento da barragem da Samarco em novembro de 2015.

Fonte: Valor

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