Com a realização da 5ª Rodada do pré-sal, o governo encerrou na última sexta-feira um ciclo de seis leilões no período de um ano. As principais petroleiras globais aproveitaram a janela de oportunidades para reforçar seus portfólios em águas profundas na costa brasileira, em áreas atrativas, sobretudo no pré-sal.

Ao todo, 18 empresas diferentes pagaram R$ 27,9 bilhões pela aquisição de 48 áreas marítimas nas rodadas de partilha e concessões de 2017 e 2018.

A protagonista número 1 desse ciclo foi a ExxonMobil, que comprou 21 áreas, por R$ 8,7 bilhões, e fortaleceu seu portfólio até então modesto no Brasil. Com as aquisições, a norte-americana reestreou no pré-sal brasileiro, depois de uma campanha exploratória malsucedida no bloco BM-S-22, na Bacia de Santos, no início da década. Na sexta-feira, pagou R$ 2 bilhões por 64% da promissora área de Titã, que marca a estreia da empresa como operadora dentro do polígono do pré-sal.

 

Outras três empresas aproveitaram os leilões, após o fim da operação única da Petrobras, para também estrearem como operadoras no regime de partilha: a Shell, a BP e a Equinor (ex-Statoil).

A estatal brasileira, depois da Exxon, teve uma grande relevância nos leilões de 2017 e 2018. Embora discreta na 5ª Rodada do pré-sal, quando arrematou Sudoeste de Tartaruga Verde (Bacia de Campos), a Petrobras comprou, em um ano, 20 áreas no offshore e renovou o portfólio.

Exxon, BP, Chevron, Qatar Petroleum (QPI) e a colombiana Ecopetrol são exemplos de empresas que já atuavam no mercado brasileiro, mas estavam de fora da região mais profícua do país e aproveitaram o ciclo dos leilões para estrar no pré-sal.

A Ecopetrol foi a primeira empresa da América Latina a entrar no pré-sal, após adquirir 20% da área de Pau Brasil, na sexta-feira, junto com a BP e a CNOOC. A empresa também estava com a Shell na disputa, sem sucesso, por Titã, adquirido pelo consórcio liderado pela ExxonMobil.

O diretor geral da companhia no Brasil, João Clark, disse que agora a colombiana terá “um longo caminho de aprendizado e de luta” e que o resultado só reforçou o interesse pelo país, onde tentava entrar no pré-sal desde 2013. “Vamos continuar olhando oportunidades no Brasil. A Ecopetrol está decidida a crescer no Brasil”.

O presidente regional da BP na América Latina, Felipe Arbelaez, por sua vez, destacou que a entrada da companhia no pré-sal como operadora será um “desafio interessante”. A britânica adquiriu a operação da área de Pau-Brasil, na 5ª Rodada.

Com presença do pré-sal já há alguns anos, Shell, Repsol e Petrogal, por sua vez, reforçaram suas carteiras de ativos na região.

O diretor-geral da Agência Nacional de Petróleo (ANP), Décio Oddone, celebrou a diversificação de operadoras no pré-sal. Segundo ele, essa nova configuração fará com que o ritmo de desenvolvimento das reservas brasileiras não dependa mais exclusivamente do ritmo imposto pela Petrobras. “A 5ª Rodada mostra que não estamos mais na dependência de uma única empresa. Sem demérito à Petrobras”, disse Oddone.

Oddone disse acreditar que os seis leilões começarão a gerar atividades de exploração ao fim de 2019. A expectativa, no entanto, é que o pico de contratações pela indústria se dê por volta de 2023.

Encerrado o ciclo de leilões de 2017-2018, as petroleiras esperam, agora, o desfecho das eleições para saber com clareza qual será o futuro das licitações.

Para os próximos anos, o Conselho Nacional de Política Energética (CNPE) já aprovou as diretrizes para rodadas anuais de concessão até 2021. Também está previsto para o ano que vem o megaleilão dos excedentes da cessão onerosa e a 6ª rodada do pré-sal. A decisão final sobre a continuidade ou não dos leilões caberá ao novo governo.

“Acredito no cronograma que a ANP está desenvolvendo”, afirmou a presidente da ExxonMobil no Brasil, Carla Lacerda.

Já o secretário-executivo do Ministério de Minas e Energia (MME), Márcio Félix, afirmou que o leilão dos excedentes da cessão onerosa, previsto para o primeiro semestre de 2019, será o grande “teste para valer” sobre a continuidade dos leilões no novo governo. Ele também acredita na manutenção do calendário. “O custo de abrir mão disso tudo é elevado”, disse.

O mesmo discurso foi adotado pelo presidente da Shell no Brasil, André Araujo. A petroleira foi, depois da Exxon e Petrobras, a que mais investiu na aquisição de áreas exploratórias no país desde o ano passado. Pagou, ao todo, R$ 2,8 bilhões por nove ativos, sendo R$ 1,565 bilhão por Saturno, adquirida na 5ª Rodada. “O que a gente espera é que o próximo governo continue entendendo o papel e a contribuição que a indústria de óleo e gás traz para o país, e continue mantendo regras cada vez mais claras e previsibilidade. É isso que a gente precisa.”

Fonte: Valor

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