A Braskem poderá avaliar a eventual participação em um consórcio interessado em comprar o controle de refinarias da Petrobras no Nordeste e no Sul do país, de acordo com o presidente da petroquímica, Fernando Musa. “A Braskem, com certeza, não seria líder do consórcio, já que nosso foco é na relação comercial. Na eventualidade de sermos convidados, vamos avaliar e levar para o conselho”, disse o executivo.

A estatal anunciou no fim de abril a abertura dos processos de venda de participação em ativos de logística e refino nessas regiões, incluindo as refinarias Abreu e Lima e Landulpho Alves, no Nordeste, e Alberto Pasqualini e Presidente Getúlio Vargas, no Sul.

Na avaliação da Braskem, a troca de controle pode gerar aumento de investimentos no parque de refino nacional, já que um novo investidor deve ter interesse em aportar recursos para melhorar as taxas de operação. “Há um conjunto de negócios de refino e logística com possível interação com a Braskem nas centrais de Camaçari (BA) e Triunfo (RS)”, afirmou. “Nossa expectativa é que isso possa gerar oportunidades de diálogo para reforçar a integração comercial.”

 

O desafio da companhia neste momento, disse Musa, é acompanhar o desenrolar do processo de decisão da Petrobras. “Quando houver mais clareza sobre possíveis interessados, teremos também uma visão mais clara da estratégia pretendida por eles”, afirmou, acrescentando que a notícia é “de neutra para positiva” para a petroquímica.

Contrato com Petrobras

A companhia informou também que as discussões sobre um novo contrato de fornecimento de nafta, de longo prazo, com a Petrobras devem começar a partir de agora. Segundo Musa, neste momento, o acordo, firmado em dezembro de 2015, alcança metade de sua duração, o que leva à necessidade de início das conversas. “Essa discussão é algo que deve acontecer a partir de agora. Já começa a entrar no período que faz sentido. Temos 2 anos e meio até o vencimento (em 2020) e não pretendemos deixar isso para última hora”, disse. “2019 é o momento mais propício e adequado, dentro do contexto do contrato [atual]”, acrescentou.

O presidente da Braskem reiterou que as negociações ainda não começaram e que a expectativa da companhia é alcançar termos que combinem “segurança de longo prazo e flexibilidade para capturar ajustes que o mercado possa permitir”. “Vamos buscar um contrato que seja competitivo para a Braskem. Cinco anos é um período relativamente curto para a indústria”, afirmou. Em outros países, a companhia tem contratos de até 20 anos de vigência.

Oferta

Musa também voltou a negar que a companhia esteja avaliando uma oferta de ações primária. Conforme o executivo, na semana passada, a Braskem informou que “não conduz nenhum estudo para oferta primária”. “No mesmo comunicado, [a companhia] avisa que a Braskem contactou seu controlador, a Odebrecht, e a Petrobras, signatária do acordo de acionistas, e ambos responderam que não há nenhuma operação aprovada”, disse.

A Petrobras também informou em comunicado que não há oferta de ações da Braskem aprovada. No mercado, porém, circulam informações sobre os planos da estatal de se desfazer de sua fatia na petroquímica por meio de oferta de ações e sobre conversas para formatação do consórcio de bancos que atuará na operação.

Fonte: Valor

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