A ausência de propostas na 5ª Rodada do Pré-sal, na última sexta-feira, está longe de significar um desinteresse da petroleira norueguesa Equinor pelo Brasil. Para a companhia, que possui faturamento anual global de US$ 61,2 bilhões e prevê investir US$ 15 bilhões no Brasil até 2030, o país se tornou prioritário para o grupo e possui as melhores áreas disponíveis em âmbito mundial atualmente.

"Estamos muito satisfeitos com o portfólio que temos e com o sucesso que tivermos nos últimos dois anos [no Brasil]", afirmou o vice-presidente global de exploração da Equinor, Tim Dodson, ao Valor. "Os melhores blocos no Brasil basicamente são os melhores blocos disponíveis no mundo. É difícil apontar outro lugar que tenha potencial prospectivo melhor, com áreas com grandes chances de serem um sucesso. Essa não é uma combinação usual. Por isso, acredito que o pré-sal brasileiro é algo único neste momento".

Responsável por distribuir globalmente um orçamento anual da ordem US$ 1,5 bilhão em atividades exploratórias, sem considerar quantias gastas para aquisição de áreas ou pagamento de bônus de assinatura (dados de 2017), Dodson esteve na última semana no Brasil, onde participou da Rio Oil & Gas, maior evento da indústria petrolífera brasileira, e se reuniu com parceiros em ativos no país e com representantes da Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP) e do Ministério de Minas e Energia.

 

Com as autoridades locais, Dodson elogiou o estabelecimento de um calendário plurianual de licitações de áreas exploratórias. "Isso torna o trabalho mais fácil para a indústria. Você pode olhar as oportunidades o quanto quiser e então estará apto a priorizar o que quiser".

Questionado sobre as eleições deste mês e o risco de haver um governo contrário à abertura do setor a partir do próximo ano, Dodson disse não ter preocupações sobre o assunto. "Quando uma companhia tem um negócio tão grande no país, especialmente em óleo e gás, você não pode pensar em um período de tempo presidencial de quatro anos. Você tem que pensar em longo prazo. Estamos mais do que confortáveis em operar no Brasil", explicou.

Segundo o executivo, mais importante do que o ritmo de realização de novos leilões é a previsibilidade que um governo pode dar aos investidores.

Questionado também sobre as exigências ambientais para atividades petrolíferas no Brasil, o vice-presidente da Equinor disse que o caso brasileiro não é "muito diferente" de outros país e que a companhia não encontra problemas no Brasil nesse sentido. Segundo ele, o mais importante é a empresa ter amplo diálogo com os órgãos ambientais e atender aos pedidos feitos por eles, para obter as licenças necessárias.

Com os parceiros no Brasil, a companhia discutiu planos para a campanha exploratória para o próximo ano. Segundo Dodson, porém, o assunto ainda não está fechado e, por isso, ele não soube precisar o valor que será investido em exploração no Brasil em 2019.

No portfólio de 17 áreas exploratórias que a Equinor possui no Brasil, um dos destaques é a área de Carcará, no pré-sal da Bacia de Santos, onde a empresa é operadora, com 40% de participação, e pretende acelerar a campanha exploratória.

A companhia, que produz atualmente cerca de 90 mil barris diários no Brasil, tem planos de iniciar a segunda fase da produção no campo de Peregrino entre 2019 e 2020. No campo gigante de Roncador, também na Bacia de Campos, onde o grupo adquiriu participação de 25% da Petrobras, a meta é elevar em 5% o fator de recuperação da área. "Cinco porcento de algo muito grande é muito significativo, provavelmente meio bilhão de barris [de óleo equivalente]", completou o executivo.

Mesmo com a quantidade de projetos a serem explorados e desenvolvidos no Brasil, a Equinor mantém planos de expandir sua atuação no país. "Apesar de tudo o que ganhamos, você poderá ver a Equinor ativa em um ou mais leilões. É muito mais uma questão de quais leilões e quais áreas nós acharmos mais atrativos", explicou Dodson.

Fonte: Valor

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