Na era da chamada Revolução Industrial 4.0, o Brasil poderá ficar para trás, se não conseguir produzir e reter os "talentos" necessários a um salto que garanta maior competitividade a sua economia em relação ao resto do mundo. O país ficou com o 72o. lugar entre as 125 nações avaliadas pelo Índice de Competitividade Global de Talentos 2019, divulgado pela Insead, uma das maiores escolas de administração do mundo, durante o Fórum Econômico Mundial, de Davos, na Suíça. Subiu uma posição em relação ao ano anterior. O ranking é elaborado há seis anos. Na compraração da média dos três primeiros anos com os três últimos, o Brasil caiu 12 degraus, a maior queda registrada na lista.

A segurança pessoal foi de longe a nota mais baixa do país na composição do indicador, deixando em 115o. lugar. E explica, em boa medida, por que não consegue reter os seus cérebros. Este é um dos pilares importantes na composição do índice. Mas o desempenho ruim se deve a um conjunto de maus resultados e não apenas um, segundo explicou ao GLOBO o professor associado da Insead, Felipe Monteiro, que é um dos responsáveis pela elaboração do índice.

— Tem um pouco de tudo: o ambiente de negócios, facilidade de contratar e demitir funcionários, a relação entre trabalhadores e empresas, qualidade do sistema educacional, nível de segurança pessoal e o nível de atratividade do país. Tem até oportunidades menores de liderança para mulheres  — disse Monteiro.

 

A nota total do Brasil foi 37,57 (de zero a cem), bem abaixo dos países que ficaram no topo da lista: Suíça (81,82), Cingapura (77,27), Estados Unidos (76,64), Noruega (74,67) e Dinamarca (73,85). Os últimos lugares ficaram, respectivamente com o Burundi (19,18), República Democrática do Congo (18,44) e Yemen (11,97).

De acordo com o relatório do índice, que foi criado há seis anos, "é inevitável a conclusão de que a separação entre os campeões de talentos e o resto tem crescido mais do que diminuído”. O problema, segundo o documento, é que é dessa capacidade de produzir talentos e adequar-se aos novos tempos que dependerão dos países que vão querer crescer daqui para frente e produzir mais empregos. “Há algum tempo é sabido que empresa de pequeno e médio porte têm um papel crítico na criação de empregos. Essa realidade é ainda mais verdadeira em economias em desenvolvimento, onde elas constituem 90% ou mais do total de companhias do país”, afirma o texto. 

— A transformação digital, com as novas tecnologias, economias integradas, novos ecossistemas e novas vai exigir mais talentos. E essa dinâmica vai ser altamente competitivo contexto global, porque todas as economias mais avançadas vão competir pelos mesmos talentos — afirma o professor.

Segundo o especialista, que apresentou os dados da pesquisa hoje no FEM cujo tema este ano é “Globalização 4.0: Delineando um Modelo para a Arquitetura Global na Era da Quarta Revolução Industrial", os trabalhadores terão se ser cada vez mais talentosos e versáteis.

— As novas tecnologias digitais vão existir preparo para que os trabalhadores possam trabalhar de maneira diferente, que tenham uma nova maneira de pensar, mais educação. Estamos falando de pessoas que sejam extremamente ágeis, flexíveis, capazes de ter uma mentalidade de aceitar essa mudança e trabalhar com o novo. Isso é uma característica muito forte no nosso relatório e está completamente conectado a essa Revolução Industrial 4.0 — garante.

No índice das grandes cidades do mundo (que existe há apenas três anos), duas cidades brasileiras foram avaliadas. O Rio de Janeiro ficou com a 104a.posição e São Paulo, com a 88a. A lista avalia 144 cidades apenas. O primeiro lugar ficou com Washington, que teve nota 69.2,contra 30,9 de São Paulo e 22,7 do Rio.

— O Rio está mal em qualidade de vida, segurança pessoal e custo de vida, o que afeta negativa dois pilares do nosso índice, que são a capacidade de atrair e reter talentos — explica Monteiro.

A America Latina em geral, talvez com a exceção do Chile, não tem o desempenho forte e mantém-se entre as últimas posições no ranking. Entre os chamados BRICS (grupo que reúne Brasil, Rússia, Índia, China e África do Sul), a pior classificação ainda é a brasileira. A Rússia vem em 46o. lugar. A África do Sul atingiu o 56o. lugar. Junto com o Brasil, foi o país que caiu mais posições no ranking: oito. A perda aconteceu sobretudo devido às notas baixas do pilar capacitação e conhecimento global. (*) Enviada Especial

Índice global de competitividade de talentos 2019

1. Suíça 81.82

2. Cingapura 77.27

3. Estados Unidos  76.64

4. Noruega 74.67

5. Dinamarca 73.85

6. Finlândia 73.78

7. Suécia 73.53

8. Holanda 73.02

9. Reino Unido  71.44

10. Luxemburgo 71.18

72. Brasil 35.57

116. Mali 23.70

117. Etiópia 23.15

118. Bangladesh 22.73

119. Madagascar 22.70

120. Nepal 22.57

121. Zimbabwe 22.31

122. Moçambique 20.32

123. Burundi 19.18

124. República Democrática do Congo. 18.44

125. Yemen 11.97

Fonte: O Globo

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