A BR Distribuidora negocia com a Petrobras um novo modelo de contrato de suprimento, informou o diretor de operação e logística da companhia, Alípio Ferreira. O executivo disse que a petroleira estatal tem buscado um novo modelo com as distribuidoras, na tentativa de obter maior captura de mercado e recuperar a perda de fatia nas importações.

“O que se espera [entre as distribuidoras] é um benefício na contratação de mais volumes, sem tirar independência das distribuidoras na hora de fazer seu suprimento por meio de importações”, disse Ferreira, durante teleconferência com analistas.

O executivo destacou que as importações de derivados por terceiros já vem caindo ao longo dos últimos meses. “Este ano há uma situação de mais equilíbrio de suprimento entre produtos do Brasil e importações”, afirmou. Segundo ele, os níveis de importação de derivados caíram entre 23% e 25% desde o quarto trimestre de 2017. Uma das justificativas é a menor margem da atividade de importação.

 

Ferreira disse também que a companhia estará aberta a negociar com qualquer empresa que, futuramente, venha a comprar as refinarias da Petrobras no Sul e Nordeste. Segundo ele, a empresa buscará sempre fontes de suprimento competitivas. “Podemos importar, comprar da Petrobras… Certamente discutiremos com outras refinarias no Brasil, caso o desinvestimento [de refino] avance. Estaremos preparados para negociar outras oportunidades de suprimento”, afirmou.

Em teleconferência sobre os resultados da companhia no primeiro trimestre, a BR Distribuidora destacou que vê sinais de recuperação de mercado entre grandes consumidores, à exceção das termelétricas, segundo o diretor financeiro e de relações com investidores da companhia, Rafael Grisolia.

No primeiro trimestre, o volume de vendas da companhia caiu 2,2%, ante igual período do ano passado. No segmento de grandes consumidores, houve uma retração de 2,6% na mesma base de comparação. Segundo Grisolia, contudo, essa redução é fruto da menor venda de combustíveis para as termelétricas - o que foi parcialmente compensado pelo setor não térmico.

O diretor de rede de postos da BR Distribuidora, Marcelo Bragança, prevê uma recuperação no volume de vendas de combustíveis no mercado brasileiro ao longo deste ano. “Temos boas expectativas quanto a isso”, disse. 

Para Grisolia, o nível de crescimento da margem Ebitda registrado no primeiro trimestre é uma “boa referência” para o que a companhia espera para o ano. Nos três primeiros meses de 2018, na comparação com igual período do ano passado, a margem Ebitda da companhia cresceu 20,6%.

De acordo com ele, a BR estima uma crescimento de 3% do PIB em 2018, o que deve se refletir nos volumes de vendas da companhia.

Venda de ativos

O executivo destacou também que a companhia continua trabalhando na sua carteira de desinvestimentos. Ele mencionou, como exemplo, a intenção da companhia de vender a concessionária de distribuição de gás canalizado do Espirito Santo, a BR-ES. “Estamos no processo de formação de uma nova empresa com o Estado [do Espírito Santo, antes de iniciar a venda]”, disse.

Questionado sobre uma possível venda do segmento de asfaltos, Grisolia observou que o ativo é “interessante e com boa rentabilidade”, mas que “não necessariamente faz parte da estratégia de longo prazo” da companhia.

“Olhando no tempo vamos fazer desinvestimento e, sim, estamos trabalhando dentro das metodologias aprovadas de nossa governança para avançar bastante este ano, para que possamos ter os primeiros resultados em termos de fluxo de caixa no ano que vem”, sustentou.

O executivo afirmou ainda não esperar nenhum impacto da negociação das dívidas da estatal no resultado da BR no curto prazo. No último dia 30 de abril, a Eletrobras e as distribuidoras do grupo no Amazonas, Roraima, Rondônia e Acre assinaram instrumentos de confissão de dívidas com a BR Distribuidora, no valor de R$ 4,6 bilhões, relativos a contratos de fornecimento de derivados para a geração de energia no Norte do país.

As dívidas contarão com garantia (fiança) prestada pela Eletrobras até que ocorra a privatização das empresas distribuidoras controladas e deverão ser quitadas em 36 prestações mensais (sem carência), atualizadas por taxas de mercado.

“Não pretendemos refletir nos nossos resultados impactos positivos ou negativos sobre a negociação com a Eletrobras. É mais apropriado reconhecer os impactos nos resultados quando a confissão vier a ser ‘performada’. Monitoraremos como se dará a privatização da Eletrobras”, disse o executivo, durante a teleconferência com analistas

Fonte: Valor