O presidente eleito, Jair Bolsonaro (PSL), anunciou nesta sexta-feira (30) a nomeação do almirante Bento Costa Lima Leite de Albuquerque Junior para o cargo de ministro de Minas e Energia.

A indicação pegou de surpresa o mercado, mas foi bem recebida positivamente, principalmente pelo setor nuclear.

A área tem dúvidas, porém, do impacto da escolha de um militar sobre os planos de privatizações defendidos pela área econômica do governo, que envolvem ativos dos setores de energia e petróleo.

 

Em nota divulgada nesta sexta, o futuro ministro disse que seu objetivo será garantir um "ambiente de confiança e de previsibilidade, tanto para os mercados, quanto para o cidadão consumidor".

Albuquerque ocupa hoje o cargo de diretor-geral de Desenvolvimento Nuclear e Tecnológico da Marinha e coordena, entre outras atividades, o projeto de construção de submarinos a propulsão nuclear --que foi alvo da Operação Lava Jato diante de denúncias do pagamento de propina.

É defensor do desenvolvimento da tecnologia para defender a chamada Amazônia Azul, faixa de mar que compreende reservas de petróleo.

Em abril, defendeu durante discurso no Clube de Engenharia do Rio a ampliação da energia nuclear.

"Nós entendemos que investimento em tecnologia nuclear é um compromisso com as gerações futuras e [que] a diversificação da nossa matriz energética significa segurança também", afirmou, segundo a assessoria de comunicação do Clube de Engenharia.

O Brasil tem hoje duas usinas nucleares e tenta destravar as obras da terceira, Angra 3, paralisadas desde 2015 após descoberta do esquema de corrupção investigado pela Operação Lava Jato.

Albuquerque afirma que, com grandes reservas de urânio e domínio sobre o ciclo de produção do combustível, o Brasil tem de investir em novas usinas nucleares.

"Para nós, foi uma surpresa extremamente agradável", disse a presidente da Associação Brasileira de Energia Nuclear, Olga Simbalista.

Técnicos do setor ouvidos pela Folha disseram que a nomeação do almirante agrada em comparação a nomes que vinham sendo aventados, principalmente pela expectativa de maior independência em relação a forças políticas.

Um dos candidatos ao cargo era o deputado federal Jaime Martins (Pros-MG), que teria sido indicado por Bolsonaro. Havia pressão também do atual ministro, Moreira Franco (MDB), para conseguir emplacar um nome.

Nas redes sociais, Moreira Franco elogiou o sucessor. "Muito bem preparado para as responsabilidades técnicas e de comando do setor. Conhece o funcionamento e os desafios da convivência no Parlamento", escreveu.

A ala militar do governo tem maior propensão a entender determinados setores como estratégicos, ao contrário da visão do grupo do futuro ministro da Economia, Paulo Guedes. Por outro lado, dizem fontes, o vice-presidente eleito, general Hamilton Mourão, tem dado demonstrações que contrariam essa expectativa.

Com a indicação de um militar, especialistas querem técnicos no segundo escalão.

"Esperamos a formação de uma equipe técnica qualificada, que preze pelo diálogo e a boa convivência e continue o trabalho iniciado nas gestões anteriores", afirmou Nelson Leite, presidente da Abradee (associação que reúne as distribuidoras de eletricidade).

O almirante Bento Albuquerque foi o 20º nome escolhido por Bolsonaro para o primeiro escalão de seu governo, sendo o primeiro da Marinha brasileira.

Ele já foi observador das Forças de Paz das Nações Unidas na Bósnia e Herzegovina e na Croácia. Foi também assessor parlamentar do gabinete do ministro da Marinha no Congresso Nacional.

Fonte: Folha

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