A balança comercial brasileira encerrou 2018 com superávit de US$ 58,298 bilhões —uma queda de 13% sobre o recorde registrado em 2017, mas o segundo resultado mais forte desde 1989, início da série histórica. 

A performance positiva ocorre no momento em que o presidente Jair Bolsonaro assume com a promessa de abrir o mercado brasileiro e diminuir tarifas sobre importados.

"Apesar de o saldo ter sido menor do que o de 2017, continua sendo um dos cinco maiores do mundo", diz Fábio Silveira, sócio-diretor da consultoria MacroSector.

 

Houve crescimento maior das importações que das exportações, informou o Ministério da Economia nesta quarta-feira (2).

Em 2018, as importações atingiram o maior valor desde 2014. O avanço foi de 19,7% sobre 2017, com US$ 181,225 bilhões em compras. Já as exportações subiram 9,6%, com US$ 239,523 bilhões em vendas, no nível mais alto dos últimos cinco anos.

Flávio Serrano, economista do Banco Haitong, diz que o fato de as importações terem crescido mais do que as exportações não é ruim.  

"É resultado da recuperação econômica. Vínhamos de anos muito fracos de atividade", diz o economista. 

Em meio à guerra comercial entre Estados Unidos e China, os principais mercados de destino das exportações brasileiras tiveram crescimento —as exportações para a China aumentaram 32,2%, para a União Europeia cresceram 20,1% e para os EUA subiram 6,6%.

A Argentina continuou sendo o principal parceiro comercial do Brasil na América Latina, mas, em meio à recessão do país vizinho, as exportações caíram 15,5% em 2018, sendo o setor automotivo o mais impactado.

Em 2018, as vendas de soja, principal item da pauta exportadora brasileira, foram ajudadas pelas tensões comerciais e bateram recorde em quantidade e valor.

Isso porque a China impôs em julho tarifa de 25% sobre a soja dos EUA, respondendo a medidas do governo de Donald Trump de taxar importados chineses para forçar a revisão da pauta comercial e diminuir o déficit com o gigante asiático.

A medida abriu caminho para aquisição de mais grãos do Brasil. No geral, a exportação da oleaginosa chegou a 83,8 milhões de toneladas e US$ 33,3 bilhões em 2018.

Para Serrano, do Haitong, 2019 também deve ser um ano positivo para a balança comercial em termos de volume, com um saldo comercial esperado similar ao registrado em 2018, entre US$ 55 bilhões e US$ 60 bilhões. 

A trajetória de preços, no entanto, pode ser atingida por sinais de desaceleração de economias centrais. 

"Felizmente nosso maior parceiro comercial, China, continua crescendo em um ritmo forte. O crescimento da China pode compensar parte da desaceleração dos EUA", diz Serrano. 

A consultoria Rosenberg & Associados espera, em 2019, saldo comercial menor que o de 2018, pouco acima de US$ 40 bilhões. O cenário leva em conta a aceleração do crescimento para 2,8% no ano.

Para Silveira, o país precisa investir mais na modernização de sua indústria, de modo a alavancar o comércio exterior. 

"Estamos perdendo participação no comércio internacional, ano após ano. Desse modo, como vamos diminuir o número de desempregados no país? Temos que acelerar as exportações de produtos industrializados", diz Silveira. 

Segundo ele, espera-se que o novo governo examine com lupa o quadro crítico de alto desemprego e baixo crescimento industrial. "Não adianta acender a vela apenas para buscar o ajuste fiscal. Ele é fundamental, mas não é passe de mágica para diminuir o altíssimo desemprego". 

Fonte: Folha SP

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