Após uma esplêndida safra que nos permitiu ultrapassar a Índia e a Austrália, o Brasil chega à posição de segundo maior exportador mundial de algodão, o que vai gerar mais de US$ 2,5 bilhões em 2019.

Mantida a atual taxa de crescimento (10% ao ano), antes de 2030 já teremos superado os Estados Unidos, primeiros exportadores mundiais.

Naquela época, nosso modelo era baseado na pequena produção da região Sul, sujeita a instabilidades climáticas e ao descontrole de pragas e doenças. 

 

Ao migrar para os cerrados do centro-norte, o algodão ganhou escala (propriedades rurais e operações muito maiores), reduziu a incidência de doenças (a colheita deixou de coincidir com o período chuvoso) e, em consequência, obteve maior produtividade e qualidade de pluma.

Entre os anos 1970 e hoje, enquanto a área plantada com algodão caiu de 4 para 1 milhão de hectares, a produtividade deu o espetacular salto de 200 kg para 1.800 kg de pluma por hectare.

Se naquele período o algodão era cultura única, hoje ele é comumente plantado como segunda safra da soja, usando a mesma área agrícola.

Isso permitiu conquistar dois elementos únicos de diferenciação do Brasil: a padronização do produto

—cuja rastreabilidade pode ser feita em nível de talhão— e as características intrínsecas de sustentabilidade, graças à adoção generalizada pelo setor de certificações como o ABR (Algodão Brasileiro Responsável) e a BCI (Better Cotton Initiative).

Ocorre que a indústria de confecções é uma das que mais migraram ao longo do tempo, saindo do Reino Unido na Revolução Industrial para se instalar nas Carolinas nos EUA.

Depois foi para o Japão e a Coreia do Sul, depois China e hoje chega a Indonésia, Vietnã, Turquia, Bangladesh e Paquistão, países cujas importações crescem a dois dígitos. 

Essa extraordinária mobilidade, em busca de mão de obra competitiva, gerou forte demanda para o algodão brasileiro em países com notáveis limitações de terra e água.

Mas o que falta ser feito para coroar essa saga? Como vamos vencer os EUA na disputa pela liderança das exportações? Minha opinião é que ganhos de produtividade são fundamentais, mas não suficientes, para ganhar o jogo global e que qualidade medida no campo é diferente de qualidade percebida pelo consumidor.

A cotonicultura americana lidera o mercado não apenas porque historicamente produziu grandes volumes com alta produtividade mas também porque investiu pesadamente em comunicação e diferenciação.

O Cotton Council International (CCI), braço de promoção internacional do Conselho Nacional do Algodão dos EUA, tem representações em 15 países e um site em 12 idiomas. Em 2017, gastou US$ 26 milhões com programas de internacionalização da indústria, fóruns, trade shows e eventos.

Além disso, criou a marca “Cotton USA”, que certifica produtos que contêm algodão americano e ainda promove estudos, visitas, missões e a divulgação de inovações em tecnologia, mistura de tecidos, design e moda.

A Abrapa (Associação Brasileira dos Produtores de Algodão) patrocinou uma bela campanha para promover o uso do produto no Brasil, com o lema “Sou de Algodão”. 

Fizemos uma revolução no campo. Agora é hora de construir uma imagem sólida para o algodão brasileiro no exterior, diferenciando-o no coração e na mente de nossos clientes e consumidores, que, na sua maioria, hoje vivem do outro lado do planeta.

Fonte: Folha SP

 

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