Apesar da ausência de Donald Trump na Cúpula das Américas, o governo americano não abandonou a retórica do "eu sou mais legal que a China".

Em entrevista à Folha e mais cinco veículos da região, o secretário de Comércio dos EUA, Wilbur Ross, passou boa parte do tempo criticando o posicionamento da China em relação à América Latina.

E, apesar das críticas generalizadas contra a iniciativa de impor tarifas sobre aço, alumínio e produtos chineses, disse ser injusta a acusação de que os EUA são protecionistas.

 

"A China fala de livre comércio, mas é um dos países mais protecionistas do mundo. Eles têm feito um trabalho de relações públicas melhor que o nosso. Mas o comportamento deles não segue a retórica. Nós somos, de longe, o país menos protecionista do mundo. Nós acreditamos em livre comércio. Mas livre comércio é como um unicórnio no jardim: é uma coisa muito desejável, mas não há muita oferta."

Ross detalhou o que considera uma relaçao comercial pouco benéfica para os latino-americanos. Afimrou que mais de 70% das exportações da América Latina para os EUA são manufaturados. "Manufaturados geram bons empregos".

Já no caso da China, segundo ele, mais de 90% do que importa da América Latina são produtos de baixo valor agregado.

Indagado sobre o que os EUA fariam diante do aumento da influência e do investimento da China na América Latina, Ross questionou a qualidade dos investimentos chineses na região.

Segundo ele, tem muito mais promessa do que investimento concretizado. E, na maioria das vezes, os chineses compram empresas ou se associam, não fazem investimentos produtivos do zero. 

Boa parte disso é verdade. No entanto, para os países que estão presentes a pagar tarifas de 25% sobre aço e 10% sobre alumínio e ter seus acordos comerciais renegociados, está difícil achar que os EUA são os melhores parceiros comerciais. Relações públicas não fazem milagre. 

Fonte: Folha SP