A Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) acompanhou o mercado e projetou produção recorde de soja para a safra 2017/2018, de 114,9 milhões de toneladas. A estimativa não deve, porém, prejudicar preços em um cenário de demanda aquecida.

O novo recorde é 0,8% superior à safra 2016/2017, quando a produção da oleaginosa somou 114 milhões de toneladas. “Diferentemente do que aconteceu na temporada passada, tivemos problemas pontuais em alguns estados. Ainda assim, o clima permitiu que o resultado superasse o ciclo anterior”, diz o gerente de avaliação e levantamento de safra da Conab, Eledon Pereira. “Se não fossem essas questões, a temporada teria sido ainda maior.”

O Rio Grande do Sul foi o único estado em que a produção não cresceu neste ciclo, devido à estiagem. O estado registrou queda de 11% na safra da oleaginosa, com problemas em importantes áreas de cultivo.

 

A projeção feita pela companhia acompanhou o mercado, que continua a revisar para cima as expectativas para produção do grão. Nesta terça-feira (10) a Associação Brasileira das Indústrias de Óleos Vegetais (Abiove) também elevou a estimativa de produção do grão para esta temporada, a 117,4 milhões de toneladas do grão, ante estimativa anterior de 114,7 milhões de toneladas.

Mercado externo

A projeção de uma supersafra feita pela Conab ocorre em um momento de demanda aquecida e preços em alta para a soja. Se no mês passado a sustentação para as cotações veio da estimativa de quebra de safra na Argentina – projetada ontem pelo Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA, na sigla em inglês) em 40 milhões de toneladas, 7 milhões de toneladas a menos do que o previsto em março – agora a guerra comercial entre China e o país norte-americano é o combustível principal para a sustentação dos preços pagos pela oleaginosa atualmente.

“Embora a tarifa de 25% para importação da soja norte-americana ainda não tenha sido aplicada, a perspectiva de uma maior demanda pelo grão brasileiro tem dado um novo fôlego para os preços”, pondera o analista de mercado da AgRural, Adriano Gomes. A consultoria estima produção de 119 milhões de toneladas.

Segundo ele, os prêmios pagos no Porto de Paranaguá, no Paraná, chegaram a US$ 1,90 o bushel na semana passada e a US$ 1,50 nesta semana. Já a cotação em Chicago está em US$ 10,50 o bushel (27,215 quilos), um valor que Gomes considera mediano, mas que se torna mais interessante para o produtor com o prêmio pago nos portos.

Aliado a isso, a valorização do dólar frente ao real também favorece as exportações. O resultado é que a saca de 60 quilos do grão disponível chegou a R$ 88 em Paranaguá na última segunda-feira (09), melhor preço desde julho de 2016.

O produtor brasileiro, que estava aguardando um momento favorável para tirar a soja dos silos ou negociar a safra atual, tem aproveitado para negociar a commodity. Em Mato Grosso, por exemplo, a comercialização avançou 9,85 pontos percentuais em março, para 71% da safra 2017/2018, segundo dados do Instituto Mato-Grossense de Economia Agropecuária (Imea).

“Esse aumento de preço está beneficiando a todos os produtores, especialmente os próximos dos portos”, afirma o presidente da Aprosoja, Marcos da Rosa. Para ele, entretanto, as cotações permanecem defasadas, mas ainda assim suficientes para cobrir o custo de produção.

Nesse cenário, a Abiove revisou a projeção de exportação da oleaginosa brasileira de 68 milhões de toneladas para 70,4 milhões de toneladas do grão.

Além da guerra comercial entre China e Estados Unidos e da quebra da safra na Argentina, o começo da temporada de soja norte-americana deve concentrar as atenções do mercado. No final do mês passado, o USDA já havia projetado área de 36 milhões de hectares, abaixo dos 36,45 milhões de hectares da safra anterior.

Fonte: DCI