O Brasil pode ser atingido por uma "bala perdida" numa eventual guerra comercial entre Estados Unidos e China, disse nesta segunda-feira (9) o secretário de assuntos internacionais do Ministério da Fazenda, Marcello Estevão, após participar de um seminário na Fundação Getulio Vargas (FGV), no Rio.

As tensões nas relações comerciais entre os dois gigantes cresceu nos últimos dias, com as nações ameaçando tarifar produtos um do outro. Nesta segunda-feira, a China culpou o governo americano pelos atritos entre os dois países e repetiu que seria impossível manter negociações sob as "circunstâncias atuais".

"Clima ruim no ambiente internacional não é bom para ninguém. Podemos ser o cara andando que leva uma bala perdida. Quase levamos uma bala perdida no [caso da taxação do] aço", disse ele, referindo-se à cobrança de tarifa sobre o aço importado pelos EUA. "Conseguirmos ser uma exceção no caso dos EUA", afirmou Estevão.

 

O secretário reconheceu que acompanha a disputa entre os dois países pelos jornais e acrescentou que, numa visão "mais geral e profunda", uma guerra comercial entre EUA e China não seria bom para o Brasil e nenhum outro país. "Todos têm a perder com uma guerra comercial de duas economias do tamanho dos EUA e da China, num sentido mais profundo, mais geral", disse ele.

Segundo Estevão, os atritos podem, pontualmente, abrir espaço para produtos brasileiros no exterior. "Num sentido mais pontual, por enquanto, talvez isso ajude um pouco. Na questão da soja, se chineses adotarem tarifas de importação da soja americana, isso beneficia produtores brasileiros. Vão querer se aproximar de quem está a favor de aproximação."

Sobre as negociações entre Mercosul e União Europeia, em torno de um acordo de comércio entre os dois blocos, o secretário disse que tem ouvido dos negociadores que existe avanço nas discussões e que há a perspectiva de um acordo no primeiro semestre deste ano, o que seria algo histórico.

Fonte: Valor