A ArcelorMittal está otimista sobre conseguir a aprovação do Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade) para a fusão de seus ativos de aços longos no Brasil com a Votorantim Siderurgia. De acordo com Jefferson de Paula, presidente da área de longos na América do Sul, Central e no Caribe, já foram oferecidos paliativos ao potencial de concentração de mercado e agora esses "remédios" são discutidos com a autarquia.

O executivo explica que a grande preocupação do Cade quanto à fusão é sobre a presença em alguns mercados de produtos específicos da empresa resultante. Como as conversas ainda estão em curso, ele disse que não pode dar detalhes sobre o escrutínio do órgão, mas que não deve demorar para que a análise tanto da concentração quanto da solução oferecida por ela seja melhor definida.

Segundo fontes, após a união, os produtos com maior concentração de mercado da ArcelorMittal Aços Longos seriam os perfis de aço. A nova companhia também teria produção relevante, contudo, de vergalhões e barras. Ainda não está claro qual seria o caminho preferido pelo Cade para aceitar a fusão.

De Paula disse ainda que, ao contrário do segmento de planos, que já vivencia uma certa recuperação no Brasil, os aços longos ainda sofrem com a falta de projetos de infraestrutura e poucos lançamentos da construção civil. Desde 2013, o consumo de aços longos ficou quase um terço menor no país. No ano que vem, a expectativa é que novas obras ajudem a elevar em 4% a demanda por esse tipo de material.

"Tradicionalmente a construção responde por 60% a 63% do consumo de aços longos", comenta o executivo. "Por enquanto, a indústria impede que a demanda caia mais, mas em 2018 já vemos melhora da construção."

Por outro lado, a divisão de planos do grupo no Brasil tem surfado a recuperação desse mercado - e com desempenho acima da média. De acordo com Benjamin Baptista, presidente da ArcelorMittal Brasil, as vendas internas do segmento crescem cerca de 5% em 2017 até agora, ante aproximadamente 4% do setor como um todo.

Em 2018, a expectativa é que a recuperação de aços planos se intensifique, podendo até elevar a importância do Brasil dentro do mix de vendas da companhia. "Hoje nossas unidades no Brasil exportam cerca de 65% e vendem os 35% restantes internamente", declarou Baptista. "No ano que vem acreditamos que o mercado vai se recuperar mais rápido e, por isso, provavelmente a participação do mercado interno vai aumentar."

Assim como o restante do setor, ele explica que principalmente a demanda automotiva melhorou o desempenho em 2017, à medida que as montadoras exportam mais veículos. O consumo para a fabricação de máquinas agrícolas no começo do ano também ajudou a impulsionar as vendas, acrescentou.

Quanto ao comportamento dos preços internacionais do aço - que são o termômetro para reajustes no Brasil -, o grupo, o maior da siderurgia mundial, acredita em estabilidade no próximo ano. Batista ressalta, todavia, que as cotações do minério de ferro e do carvão, de difícil previsão, vão balizar as do aço.

Fonte: Valor