O governo federal espera uma forte participação de grandes petroleiras nas próximas rodadas de licitação de áreas do pré-sal, que serão realizadas no dia 27 deste mês, e a expectativa é que haja uma disputa mais acirrada no terceiro certame, disse nesta sexta-feira o secretário de Petróleo e Gás do Ministério de Minas e Energia, Márcio Félix.

Na terceira rodada, serão ofertadas quatro áreas localizadas nas bacias de Campos e Santos --os prospectos de Pau Brasil, Peroba, Alto de Cabo Frio-Oeste e Alto de Cabo Frio-Central--, que têm possibilidade de conter grandes acumulações, segundo Félix.

A segunda rodada, a ser realizada pela reguladora ANP no mesmo dia, vai reunir áreas chamadas de unitizáveis, ou seja, onde os reservatórios excedem o limite de blocos já concedidos --vão a leilão áreas próximas a Gato do Mato e Carcará e dos campos de Tartaruga Verde e Sapinhoá.

Com os dois leilões do pré-sal neste mês, o governo espera arrecadar mais de 7,7 bilhões de reais somente em bônus de assinatura para os blocos. Mas vence o leilão aquela empresa ou consórcio que ofertar o maior volume de óleo ao governo, conforme define o modelo de partilha de produção para o pré-sal.

“Esperamos competição... e em três das oito áreas das rodadas (do pré-sal) a Petrobras já manifestou direito de preferência. Mas a disputa maior deve ser na terceira rodada”, disse o secretário a jornalistas em evento do Ibef, na Bolsa de Valores do Rio de Janeiro.

“A disputa na terceira rodada deve ser maior porque na segunda estão as áreas unitizáveis... e o interesse maior vai ser de quem já opera a área. Mas a disputa maior (na segunda rodada) será em Carcará, é uma descoberta grande e cerca de 40 por cento ou metade está fora da concessão, e faz sentido ter competição”, comentou ele.

Dez empresas estão habilitadas para a segunda rodada e outras 14 para a terceira, segundo a ANP. Entre as aprovadas, estão as maiores petroleiras do mundo, como Exxon Mobil, BP, Shell, Total, Repsol, Chevron e a própria Petrobras.

CONSÓRCIOS MENORES

A perspectiva do secretário é que os consórcio que serão formados para os certames deste mês serão menores que os montados para a primeira rodada, quando foi ofertada em 2013 a área de Libra, considerada a maior reserva do Brasil.

O grupo vencedor de Libra foi formado por Petrobras, Total, Shell e as chinesas CNPC e CNOOC.

“Não vão ser consórcios tão grandes porque agora não tem mais a operação exclusiva (da Petrobras), o que juntou todo mundo, e o bônus era muito elevado”, avaliou ele.

O bônus por Libra foi de 15 bilhões de reais.

4ª RODADA

Félix revelou que o governo estuda realizar a quarta rodada do pré-sal em junho de 2018, e a 15ª rodada, no regime de concessão, primeiro trimestre do ano que vem.

O governo também trabalha para organizar o leilão do excedente da cessão onerosa em meados do ano que vem.

União e Petrobras vem tratando a atualização do contrato da cessão onerosa, firmado em 2010, semanalmente, de acordo com o secretário.

Ele avaliou que uma solução sobre a renegociação do contrato precisa ser dada até o fim do ano para que o certame do excedente ocorra na metade de 2018.

O secretário reafirmou que a Petrobras será credora nessa negociação, já que o direito de explorar 5 bilhões de barris da cessão onerosa foi firmado em um cenário de preço de petróleo em patamar bem mais elevado.

“A gente está conversando com a Petrobras numa base semanal sobre a cessão onerosa. A solução em princípio é pagar em barris... pode ser dinheiro, mas se a gente vende a área (excedente), pode ser em dinheiro. Se não fechar a negociação até o fim do ano, já era (o leilão do excedente em 2018)”, opinou.

Fonte: Reuters