Puxadas por soja e carnes, que abocanharam quase metade dos embarques do setor, as receitas com exportação do agronegócio brasileiro registraram alta de 18,5% em agosto deste ano em relação ao mesmo mês de 2016, alcançando US$ 9 bilhões. Com o resultado, o setor representou 46,4% de todas as vendas externas feitas pelo Brasil no mesmo mês.

Com exceção de açúcar e etanol e café, a grande maioria dos principais produtos da pauta agroexportadora nacional tiveram crescimento, a exemplo da soja, milho e carnes.

De acordo com dados da Secretaria de Comércio Exterior (Secex/Mdic), compilados pelo Ministério da Agricultura, já as importações recuaram 4% em agosto, para US$ 1,2 bilhão, em comparação com o mesmo período do ano passado. Com o resultado, o superávit setorial ficou em US$ 7,8 bilhões, 23,8% a mais que em agosto de 2016.

Entre os itens mais exportados, destaque para o “complexo soja” (inclui grão, farelo e óleo), que geralmente lidera o ranking das exportações de produtos agrícolas do Brasil, cujas vendas externas totalizaram US$ 2,7 bilhões em agosto, resultado 28% superior que no mesmo intervalo de comparação.

“A maior parcela desse valor foi gerada pelas exportações de soja em grãos, que alcançaram quantidade recorde para o mês de agosto com 5,95 milhões de toneladas (55,9% a mais), o que resultou em uma cifra de US$ 2,23 bilhões (40,5% a mais). Apesar disso, o preço médio do produto caiu 9,9% no período, passando de US$ 417 para US$ 376 por tonelada”, disse o ministério em nota.

No caso das carnes, os embarques também tiveram grande incremento, de 20%, para US$ 1,5 bilhão em agosto. Todas as principais carnes registraram crescimento, com destaque para o frango, cujos embarques foram recordes para meses de agosto tanto em valor (US$ 619,63 milhões) quanto em volume (382,7 mil toneladas). As receitas externas da carne bovina também cresceram, 35,1%, para US$ 606,5 milhões, e as de carne suína aumentaram 12,7%, para US$ 143 milhões — outro recorde para o mês.

Outros importantes itens exportados pelo setor agrícola em agosto foram: produtos florestais, cujas vendas externas cresceram 19%, para US$ 1 bilhão em relação a agosto de 2016; e as de milho, subiram 89,3%, para US$ 818 milhões.

Entre os itens que apresentaram queda em agosto, as exportações de açúcar e etanol recuaram 6,5%, para 1,4 US$ bilhão, e as de café encolheram 6,4%, para US$ 446,1milhões.

Principal mercado para as exportações brasileiras do agronegócio, a China importou do setor US$ 2,3 bilhões durante agosto, alta de 50,8% frente ao mesmo mês do ano anterior. Como efeito, a participação do país asiático na balança do setor brasileiro aumentou de 20,1% em agosto de 2016 para 25,6% no mesmo mês de 2017.

Já quando se considera o acumulado dos oito primeiros meses deste ano (janeiro a agosto), as vendas externas do agronegócio brasileiro também apresentaram resultado positivo – crescimento de 8,3%, para US$ 65,4 bilhões, frente ao mesmo intervalo do ano passado. As importações também cresceram: 12,5%, para US$ 9,5 bilhões nesse período. Como efeito, o superávit comercial cresceu 7,5%, para US$ 56 bilhões.

Entre os produtos mais exportados no ano até agosto, novo êxito para os embarques do “complexo soja”, que cresceram 15%, para US$ 25,7 bilhões, e para as de carne, que subiram 7,8%, para US$ 10,1 bilhões no mesmo intervalo.

No entanto, nem todos os produtos registraram alta nas exportações no acumulado dos oito primeiros meses do ano. Os embarques de cereais, farinhas e preparações, por exemplo, recuaram 30,3%, para US$ 2,1 bilhões.

Fonte: Valor