A indústria de transformação brasileira nunca teve tanto da sua produção vendida ao setor externo, segundo dados da Federação das Indústrias do Estado do Rio de Janeiro. O Índice Firjan de Produção Exportada (IFPE), indicador que mede a parcela da produção destinada à exportação, atingiu o recorde histórico de 18,2% no primeiro semestre de 2017, conforme antecipado com exclusividade ao Estadão/Broadcast.

No segundo semestre de 2016, a fatia da produção que teve como destino a exportação tinha sido de 17,3%. O ganho de importância das vendas externas na pauta industrial, entretanto, é explicado pela retração na demanda doméstica, não pelo crescimento no número de encomendas de outros países. Ou seja, diante da menor absorção dos produtos industriais dentro do Brasil, as vendas para o setor externo ficaram proporcionalmente maiores, ainda que não tenha havido crescimento na demanda por produtos brasileiros internacionalmente. 

"Num período de crise aguda, o setor externo realmente aparece como única alternativa para o escoamento da produção. O Índice Firjan de Produção Exportada chegou ao ápice após dois anos de forte recessão econômica, então o mercado externo é um fator importante, mas ainda assim não é suficiente para recuperar o setor produtivo. A retomada da indústria certamente passa pela recuperação do mercado doméstico", avaliou Jonathas Goulart, coordenador de Estudos Econômicos da Firjan.

Entre os 24 setores da indústria de transformação analisados, 16 elevaram a parcela da produção exportada nos seis primeiros meses de 2017, em relação ao mesmo período de 2016. A fraca atividade fabril, porém, foi determinante para o resultado, uma vez que todos esses 16 setores que aumentaram o índice de produção exportada tiveram redução na quantidade produzida. 

"Quatro setores atingiram patamar recorde no índice de produção exportada, mas em todos eles houve queda na produção", apontou Goulart.

Os dados do levantamento da Firjan têm início no primeiro semestre de 2003. Os quatro setores que atingiram no primeiro semestre o nível mais alto na série histórica do IFPE foram máquinas e equipamentos (28,4%), borracha e plástico (10,2%), móveis (7,4%) e produtos diversos, categoria que engloba itens diversos como bijuteria, instrumentos musicais e artefatos para pesca (13,6%). 

O desempenho corrobora o cenário de pouco dinamismo mostrado pela Pesquisa Industrial Mensal, divulgada esta semana pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). A produção da indústria de transformação recuou 0,3% no primeiro semestre, em relação ao mesmo período do ano passado. A indústria geral só encerrou o semestre com avanço de 0,5% por conta do crescimento de 6,0% da extrativa mineral no período, calculou o Instituto de Estudos para o Desenvolvimento Industrial (Iedi) com base dos números do IBGE.

"O cenário político permanece conturbado, com incertezas também no ambiente econômico, a própria dificuldade de cumprir a meta fiscal. Isso tem impacto nas expectativas, desperta a possibilidade de elevação de impostos. É jogar areia num mercado que pouco se recuperou. Começamos o ano com um cenário de cautela, e esse cenário ainda existe", avaliou Rafael Cagnin, economista-chefe do Iedi.

Fonte: Estadão