A Petrobras pretende oferecer entre 25% e 40% do capital da BR Distribuidora, por meio de oferta secundária de ações, afirmou uma fonte com conhecimento do assunto. O Valor apurou, no entanto, que, embora não seja consenso dentro do conselho de administração, a hipótese de uma pulverização do controle da distribuidora no mercado, a partir da oferta de mais de 50% do capital da companhia, ainda não pode ser descartada.

Segundo uma segunda fonte a par do assunto, o percentual da BR a ser oferecido ao mercado ainda será definido mais adiante, a depender muito do avanço da demanda que os bancos identificarem e do "feedback" dos investidores. De acordo com a mesma fonte, a maior parte do conselho de administração da Petrobras prefere "caminhar aos poucos" com a abertura de capital da BR, mas há defensores, no grupo, de um processo de pulverização mais intenso do capital da distribuidora.

Como a meta da Petrobras é listar a distribuidora de combustíveis no Novo Mercado da B3 (antiga BM&FBovespa), segmento especial de governança corporativa da bolsa paulista, pelo menos 25% das ações da BR precisa ser ofertada ao mercado. Seja qual for a fatia a ser disponibilizada ao mercado, a ideia é que a governança de alguma forma preserve algum tipo de sinergia com a produção de derivados da Petrobras.


Companhia, que tem 31,2% do mercado de combustíveis no país, teve faturamento de R$ 86,2 bilhões em 2016

A abertura de capital da BR Distribuidora foi aprovada pelo conselho da estatal na terça-feira. A Petrobras comunicou, na ocasião, que todos os atos necessários para a realização da oferta estarão sujeitos à aprovação de órgãos internos da estatal e da BR, bem como à análise e à aprovação dos respectivos entes reguladores. A estatal não estipulou qualquer prazo previsto para a realização do processo.

A BR é um dos principais ativos do programa de desinvestimentos da Petrobras, que pretende levantar US$ 21 bilhões no biênio 2017/2018. Estimativas de mercado apontam que a distribuidora vale algo em torno de R$ 25 bilhões a R$ 30 bilhões.

Dona de uma fatia de 31,2% do mercado de distribuição brasileiro, a BR registrou, no ano passado, uma receita líquida de R$ 86,2 bilhões (montante 11,1% menor que o registrado em 2015) e um prejuízo de R$ 315 milhões (ante as perdas de R$ 1,16 bilhão do ano anterior). A distribuidora possui um plano de investimentos de R$ 2,8 bilhões entre 2017 e 2021, que visa recuperar o market share da empresa para patamares de 34,6% até 2021. Ao todo, a companhia possui uma rede de 8,1 mil postos e tem planos de aumentá-la em mais 1,8 mil unidades.

A BR Distribuidora já foi uma companhia de capital aberto até 2003 e a reabertura do capital voltou a ser uma opção. A distribuidora abriu o capital em 1993. A primeira tentativa da Petrobras de fechar o capital e reassumir totalmente o controle foi em outubro de 2000. Na época, a proposta da estatal era incorporar a distribuidora para, em seguida, cancelar o registro.

O modelo, porém, foi motivo de queixas de minoritários da distribuidora de combustíveis. O caso foi levado para a Comissão de Valores Mobiliários (CVM), que determinou à Petrobras que fizesse uma oferta pública para aquisição de ações (OPA) da controlada. Na época, a estatal decidiu desistir do processo.

Uma nova operação ocorreu em janeiro de 2003, quando a Petrobras realizou na bolsa de valores a troca das ações da controlada por suas próprias ações. A oferta teve adesão de 99,99% dos acionistas da distribuidora - eram necessários dois terços para garantir o sucesso do negócio.

O objetivo, segundo a estatal, era concentrar a liquidez nas ações da própria Petrobras e alinhar os interesses das duas companhias. Desde a primeira tentativa de reassumir 100% da BR, a estatal tinha interesse em adequar o seu perfil ao de concorrentes no mercado internacional e alcançar, com isso, maior liberdade de negociações, além de diminuir custos.

Uma pedra no sapato da BR Distribuidora, que precisa ser resolvida antes de qualquer operação de venda de ações, é a dívida que a Eletrobras possui com a empresa, pelo fornecimento de combustível para geração de energia termelétrica na região Norte.

No fim de março, a dívida total da estatal elétrica com a Petrobras somava R$ 16,7 bilhões. Desse montante, um valor de R$ 10,1 bilhões já foi objeto de dois contratos para repactuação de dívida. Os R$ 6,6 bilhões restantes estavam em negociação entre as empresas. Desse valor em aberto, a Eletrobras conta com recursos da Conta de Desenvolvimento Energético (CDE), encargo cobrado via tarifa de energia, de cerca de R$ 3,5 bilhões.

Na época, o presidente da Eletrobras, Wilson Ferreira Jr, havia explicado que o fechamento de um novo acordo, com relação ao valor em aberto da dívida era importante para a privatização da BR Distribuidora e das distribuidoras da estatal elétrica, principalmente a Amazonas Energia.

Fonte:  Valor