O Centro-Oeste e o Sul tiveram a expansão mais forte entre as cinco regiões do Brasil no primeiro trimestre, retratando a "pujança do crescimento da agropecuária" no período, segundo a 4E Consultoria. Nas estimativas da 4E, o Produto Interno Bruto (PIB) do Centro-Oeste cresceu 2,5% em relação ao trimestre anterior, feito o ajuste sazonal, enquanto a economia do Sul avançou 1,5%, taxas mais expressivas que o 1% do PIB nacional.

Também beneficiado pela "bonança da agropecuária", o Nordeste cresceu 1,1%. O Sudeste teve uma pequena alta, de 0,34%, enquanto o Norte viu a economia encolher 0,32%, nas contas do economista Alejandro Padrón, sócio da 4E.

Padrón ressalta que o crescimento mais forte do Centro-Oeste e do Sul foi capitaneado por "Estados tradicionalmente fortes no agronegócio brasileiro". Mato Grosso, localizado no Centro Oeste, foi o grande destaque, com expansão de 6,7% no primeiro trimestre. O segundo melhor desempenho foi do Paraná, com alta de 3,7%.

O economista nota que o setor de serviços teve contribuição direta mais importante que a agropecuária para o crescimento do Centro-Oeste e do Sul no primeiro trimestre. Da expansão de 2,5% da economia do Centro-Oeste, 1,2 ponto percentual veio dos serviços; no Sul, esse segmento respondeu por 1 ponto do avanço do PIB de 1,5%. A agropecuária respondeu por 0,64 ponto do crescimento do Centro-Oeste e por 0,23 ponto do Sul no trimestre.

Um ponto importante, segundo ele, é que a agropecuária ajuda a puxar o desempenho de diversos segmentos do setor de serviços, como comércio, transporte e serviços técnicos. "Parte do desempenho forte dos serviços pode ser explicado pelo comportamento do setor agropecuário", resume Padrón. Ele observa que, no Mato Grosso, os serviços cresceram no primeiro trimestre 43% em relação ao quarto trimestre de 2016, de acordo com a Pesquisa Mensal de Serviços (PMS) do IBGE. No Paraná, a alta foi de 7% nessa mesma base de comparação.

Padrón destaca o forte crescimento da agropecuária no PIB nacional no primeiro trimestre, de 13,4% em relação aos três meses anteriores. Como já se esperava, esse foi o grande motor da expansão da atividade nacional no período, que viu a indústria avançar 0,9% e os serviços ficarem estáveis. Segundo estimativas do IBGE, a safra deste ano deve crescer 29,2% em comparação com a do ano passado.

O sócio da 4E diz ainda que o bom resultado da agropecuária não beneficiou apenas o Centro-Oeste e o Sul, favorecendo também a região Nordeste. Do 1,06% de crescimento do PIB nordestino, 0,64 ponto veio da agropecuária. Padrón observa que o aumento da área plantada da região deve crescer com muita força neste ano. No Brasil, a expansão deve ser de 2,2%, enquanto a alta deve atingir 8,8% no Piauí e 14,6% no Maranhão. Ainda que se parta de uma base de comparação baixa, são aumentos expressivos. No primeiro trimestre, o PIB do Piauí teve expansão de 2,8% e o do Maranhão, de 2,2%.

Ao comentar o resultado negativo do Norte, Padrón diz que a agropecuária é relativamente fraca por lá, e a administração pública, com peso elevado no PIB da região, teve mau desempenho, recuando 2,1% sobre o trimestre anterior. O Sudeste teve alta de 0,34%, concentrado principalmente no desempenho da indústria.

Para Padrón, a agropecuária deve continuar sendo um importante motor para o crescimento. "As regiões Sul e Centro-Oeste devem continuar apresentando as melhores dinâmicas de crescimento no ano, enquanto o Nordeste também se beneficia da bonança da safra recorde", avalia ele. "A região Norte deve apresentar o pior desempenho, diante da acentuada retração do setor de serviços, enquanto a economia do Sudeste deve seguir patinando, à espera de uma recuperação mais consistente da indústria e dos serviços." Para o PIB nacional, a 4E espera um recuo de 0,1% em 2017.

No acumulado em quatro trimestres, o PIB nacional e os das regiões estão no vermelho. O do Brasil recuou 2,3%. O PIB do Centro-Oeste encolheu 3% nessa base de comparação, enquanto o do Norte caiu 2,2%, o do Nordeste, 4,9%, o do Sudeste, 2% e o do Sul, 1%.

Fonte:  Valor