A partir de 2014, a unidade brasileira da Allianz Global Corporate & Specialty (AGCS), braço de resseguros do grupo alemão Allianz, será a plataforma para a expansão das atividades da empresa na América Latina. A partir de uma revisão de planos após a crise de 2008, a expectativa é que a AGCS tenha 30% de sua carteira gerada nos emergentes até 2018 - hoje essa fatia não passa de 5%.

De acordo com o presidente global da companhia, Axel Theis, a estratégia é positiva em momentos como o atual, pois cada mercado tende a reagir de uma forma ao cenário global. "Estados Unidos e Europa ainda são mercados importantes, mas o crescimento será mais restrito. Por isso, achamos importante diversificar. Não colocar todos os ovos na mesma cesta."

Segundo sua percepção, a provável retirada dos estímulos americanos tende a ter impacto positivo para a Europa, com a moeda americana se valorizando e o euro tornando-se mais competitivo. "Sempre vai haver locais com desenvolvimento", resume, adotando uma linha que aposta na manutenção de um equilíbrio favorável a estratégias e operações globais.

Ele reconhece que o impacto da mudança na política econômica americana para o Brasil tende a ser menos positivo. "Na maioria dos lugares, o dinheiro está barato e a inflação está baixa. Totalmente diferente do Brasil, que ainda mantém taxas de juros muito altas", avalia.

Ele aposta, porém, no crescimento da demanda por resseguro no país, principalmente nas áreas de infraestrutura e em carteiras menos maduras, como a de interrupção de negócios por contingências, quando a atividade do cliente é paralisada por fatores externos, como a falta de um insumo. "Todos falam da Copa do Mundo e dos Jogos Olímpicos como grandes oportunidades, mas estamos olhando além disso", afirma.

Com as dez maiores empresa brasileiras já na carteira, o executivo trabalha com expectativa de crescimento na região para os próximos anos de 15% ao ano, sem considerar aquisições. Nesse primeiro ano, a AGCS estruturou a equipe e transferiu para o Brasil contratos que tinha com empresas brasileiras em outras praças. Da carteira atual, 60% são novos contratos e 40% advêm de resseguros firmados em outros países.

A escolha do o Brasil como um "hub" de expansão regional marca a consolidação das atividades no país, menos de um ano depois de obter a licença da Superintendência de Seguros Privados (Susep) para atuar como resseguradora local e de estruturar sua operação aqui.


Fonte: Valor Econômico Renata Batista | Do Rio