A construção naval de grande porte no Brasil encerrou atividades. A etapa de construção de plataformas próprias de produção se encerrará com a entrega da P-70, para o campo de Atapu, reprogramada para 2020, contrato originalmente do Ecovix-RS transferido para o Cosco, na China. As próximas nove plataformas tipo FPSO do Plano de Negócios da Petrobras serão afretadas de integradores internacionais. Os FPSOs de Mero 1 e Sépia serão afretados da Modec, o FPSO de Buzios 5 será afretado da Exmar. Todos com entrega prevista para 2021. As demais seis plataformas previstas para iniciar operação em 2022 e 2023 também serão licitadas para afretamento no mercado internacional.

As plataformas construídas localmente estão operando com eficiência. Os problemas foram os atrasos e custos muito acima dos orçamentos. A Petrobras, com a prioridade de investir no pré-sal e reduzir o endividamento de US$ 73 bilhões, não tem mais a missão de apoiar estaleiros locais. Navios petroleiros e de produtos estão no mesmo caso. Sofreram cancelamentos por atrasos e falta de condições financeiras. Os seis navios gaseiros, de quatro mil metros cúbicos para transporte de GLP, contratados pela Transpetro, e os três navios de assentamento de dutos (PLSV) construídos para a DOF, no Vard Promar, foram entregues dentro do prazo. São construção naval de grande complexidade de porte médio. 

No mercado internacional a tendência é a construção de navios gaseiros de porte médio (50 mil e 30 mil metros cúbicos). A consultoria Drewry aponta o aumento dos terminais de pequeno porte para importação de LNG (Liquefied Natural Gas), tanto na Ásia quanto na Europa. O gás natural do petróleo conquista a preferência por ser fonte de energia mais limpa que o petróleo e com oferta em expansão. São fatores que impulsionam a demanda das empresas e por sua vez cria demanda por navios gaseiros de menor porte. A maior oferta e as aplicações do gás natural na geração termoelétrica e na energia para indústrias criarão demanda por navios gaseiros de médio porte no Brasil? O segmento de distribuição de GLP é um dos segmentos em que a Petrobras deixará de atuar, segundo consta no Plano de Negócios.

Estudo da Empresa de Pesquisa Energética (EPE), de abril de 2018, registra 68 processos de licenciamento ambiental para unidades de regaseificação do gás natural em portos e terminais brasileiros. Nem todos serão realizados, por diversas razões. EPE, MME e ANP propõem mudanças no marco regulatório do gás natural para aumentar a concorrência. Projetos desse tipo atraem investidores.

Na última década, foram divulgados estudos de novos terminais de GNL nos seguintes estados brasileiros: Rio Grande do Sul, Santa Catarina, Paraná, São Paulo, Rio de Janeiro, Espírito Santo, Sergipe, Pernambuco e Pará. A importância do tema pode ser observada no cadastramento de 23 projetos de termelétricas a gás natural no leilão de energia nova A-6, totalizando 21,5 GW.

Atualmente existem Floating Storage Regasification Unit (FSRU) da Petrobras operando em terminais da Transpetro no Rio de Janeiro, na Baía de Guanabara; na Bahia, na Baía de Todos os Santos; e no Porto de Pecém, no Ceará. A EPE estima que mais seis são necessários. Já estão em construção unidades para a Gás Natural Açu (GNA), termelétricas 1 e 2, no Norte do RJ, previstas para iniciar operações em 2021 e 2023 com investimentos da BP, Prumo e Siemens. A Celse, em Sergipe, com investimentos da EBrasil Energia e Golar Power, terá FSRU construída no Samsung Heavy Industries, na Coreia do Sul, que já chegou ao Brasil. O gás natural será fornecido pela Ocean LNG (associação da Quatar Petroleum com a Exxon). No Pará, a Norske-Hydro contrata FSRU para utilizar gás natural na geração de energia para sua fábrica de alumínio, no Pará.

Há previsão de aumento da oferta de gás natural no Brasil, nos EUA e na costa Oeste da África. A logística do gás pode ser uma opção para a construção naval local. 

O Estaleiro Atlântico Sul recebe pedido de orçamento da Hamburg Sul para construção de dois navios porta-contêineres de quatro mil TEUs, para atuar na operação de feeder, em portos concentradores, especialmente Pecém, que vai receber navios porta-contêineres de grande porte da Maersk, controladora da Hamburg Sud.

A Modec estuda a construção local de módulos para suas duas plataformas no BrasFels (RJ) e no EBR (RS). A Ocyan anuncia associação com a Teekay para participar das licitações de FPSOs, construídos em estaleiros internacionais. Este ano três novas plataformas vão começar operações no Brasil, movimento que prossegue com a entrada em produção de outros 10 novos FPSOs até 2023, indicando a gradual contratação de 60 de navios de apoio marítimo que estavam sem contratos de serviços em 2018. Assim se inicia uma nova fase com foco na construção naval de médio porte.

Ivan Leão é diretor da Ivens Consult


Comentários


Cash Computadores

Ivan Leão

170206 ivan leao

Ivan Leão é jornalista, especializado em produção de informação estratégica. Dirige a Ivens Consult www.ivens.inf.br.

Envie uma mensagem ao autor.

Colunistas