Tecnologia brasileira no offshore

A Offshore Technology Conference (OTC) será realizada em Houston de 30 de abril a 2 de maio de 2018. O evento completa 50 anos, deve receber cerca de 70 mil participantes e é patrocinado por 13 grandes indústrias e associações de classe. Ocorre num panorama de recuperação da crise do preço do petróleo e diante do processo de transição para uma economia de baixo consumo de carbono. 

O Brasil e suas oportunidades é um dos destaques. A Global Data Upstream Analytics estima que a Petrobras vai liderar a produção de gás na região, com 21% do total de 17,3 bilhões de metros cúbicos/dia da produção estimada da América Latina até 2021.

 

Duas empresas brasileiras, Ouro Negro e Deep Seed, apresentarão produtos desenvolvidos com tecnologia própria e patenteados, demonstrando capacidade de participar no mercado de empresas 4.0 (quarta geração), que envolve uso de avançado conhecimento na concepção de produtos com utilização de tecnologia digital. A importância dessa presença é a demonstração de que há, no Brasil, capacidade de participar no mercado internacional com tecnologia de ponta.

A Ouro Negro participa pela segunda vez da OTC. Vai apresentar o robô Tatuí, desenvolvido para inspeção visual da espessura da parede de dutos de pequenos diâmetros (até 2,5 polegadas), o que possibilita diversas aplicações como o monitoramento de risers de perfuração. “Com o Tatuí, a inspeção obrigatória de risers de perfuração fica mais simples e econômica”, informa Eduardo Costa, presidente da Ouro Negro, empresa que tem como carro chefe o Moda, sistema de monitoramento óptico de risers flexíveis — já entregou mais de 200 sistemas para operar no pré-sal até 2017. 

Tecnologia laser de alto desempenho, com grande potencial de aplicação no segmento subsea; sistemas robóticos, monitoramento óptico de risers; sistemas de completação inteligente de poços, que controla produção através de múltiplas zonas de um ou mais reservatórios; e o módulo eletrônico de controle submarino que possibilita a comunicação, em tempo real, entre equipamentos subsea e plataformas de produção, são as soluções desenvolvidas pela Ouro Negro, resultado de um bem-sucedido sistema de geração de tecnologia que passou pela incubadora de empresas da PUC-RJ, tem forte relação com o Cenpes e foi viabilizada por investidores.

Outra que trilha o mesmo caminho é a Deep Seed Solutions, que vai à OTC pela primeira vez. Criada em julho de 2016, a empresa apresentará um trabalho técnico no congresso que demonstra as vantagens de aplicação de seu Field Layout Optimizer (Floco) em projetos de desenvolvimento de campos petrolíferos, que tem como referência contrato com a Repsol Sinopec Brasil. 

Uma versão especial dessa solução será apresentada no estande da empresa. Leandro Basílio, diretor de operações da Deep Seed, explica que o sistema gera automaticamente conceitos de sistemas submarinos de produção, com base na extensa gama de componentes, equipamentos e recursos disponíveis, produz uma lista de prioridades conceituais selecionada a partir de indicadores como Capex, Opex, VPI, Payback e TIR. O trabalho técnico foi escrito por seis especialistas: quatro da Deep Seed e dois da Repsol Sinopec. A Deep Seed apoia o desenvolvimento de projetos nos campos de engenharia avançada, engenharia conceitual de sistema offshore, análise de maturidade e gerenciamento de riscos de novas tecnologias, pesquisa e análise de mercado na indústria de óleo e gás e gerenciamento de projetos com novas tecnologias.

Outras iniciativas e empreendimentos brasileiros, com base em conhecimento científico, demonstram capacidade de acesso ao mercado obtendo reconhecimento e contratos. A expertise dos técnicos brasileiros oferece um saudável contraponto ao fracasso de outros segmentos locais fornecedores.

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