Regulamentação ambiental para armação se aproxima

Por Roberto Silva

• Ainda envolvida em uma de suas piores crises, a navegação marítima se vê na iminência de ter seus custos aumentados. Com a definição do marco regulatório que impõe regras mais rígidas na emissão de gases na atmosfera, será necessário investimento pesado para a sua diminuição e controle.

Segundo especialistas em controle ambiental, a navegação se caracteriza como um grande emissor mundial de enxofre, com cerca de até 3,5 mil vezes superior ao permitido pelas regras europeias, que são as mais exigentes do mundo.

Com o consumo diário de até 300 ton. de óleo pesado com alta concentração de enxofre, grandes embarcações porta-contêineres que transportam até 18 mil TEUs consomem até três vezes mais que um grande petroleiro, que chega a consumir 100 ton./dia.



Já especialistas em saúde afirmam que o enxofre é responsável por doenças respiratórias e problemas cardíacos, o que leva o setor a ter que se posicionar para resolver esta questão, que há cerca de uma década vem sendo relegada a segundo plano.

Alguns armadores, principalmente os mais conscientes de sua responsabilidade social, dizem que o setor está pronto para uma regulamentação mais rígida. Independentemente do que venha a ser definido pela IMO, que reunirá o Marine Environment Protection Committee (MEPC), em Londres, entre os próximos dias 24 e 28 de outubro, para decidir se impõe uma restrição global a vigorar a partir de 2020 ou 2025, visando a redução dos níveis de emissão dos atuais 3,5% para 0,5%, fórum onde o Brasil está representado pela CCA-IMO, Comissão Coordenadora dos Assuntos da Organização Marítima Internacional, que conta com representantes de vários Ministérios, a União Europeia definiu que na faixa de 200 milhas da costa de seus países membros, já a partir de 2020 será aplicado o nível máximo de 0,5% de enxofre na emissão de gases das embarcações que por lá circularem.

Autoridades do Porto de Shenzen, na China, terceiro maior porto de contêineres do mundo, estão na vanguarda desta discussão e a partir deste mês exigem que só atraquem no porto os navios que emitam no máximo 0,5% de enxofre na descarga de gases.

As soluções para que os armadores se adequem à necessidade do controle ambiental, emitindo no máximo 0,5% de enxofre, passam pela mudança do combustível utilizado, para óleo diesel ou gás natural, e/ou investindo em tecnologia de controle de poluição na descarga de seus motores, como tem sido feito pela indústria automobilística.

Qualquer uma das soluções pode implicar aumento do custo operacional, em até 45% em alguns casos, podendo agravar a situação financeira de algumas empresas que não consigam se adequar a esta nova realidade.

Roberto Silva é Eng. Mecânico com atuação na indústria naval. Ex-Superintendente de Portos e Marinha Mercante e ex-Superintendente de Indústria Naval do estado do Rio de Janeiro. (Artigo produzido com base em publicação da IMO sobre o assunto.)

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