Os desafios e aprendizados de uma crise histórica

Dizer que a atual crise do coronavírus é sem precedentes é “chover no molhado”. Mas ter a consciência disso é importante para nos lembrar que estamos enfrentando uma situação absolutamente nova, num contexto que não pode ser comparado com qualquer outro que já vivemos.
Não há dúvidas de que esta é uma crise transformadora, que alterou radicalmente a forma como pessoas, comunidades e organizações se relacionam e funcionam. Pela profundidade e duração dessa crise, muitas dessas mudanças tendem a ser permanentes e é isso que a torna o tipo de evento que será considerado um marco para a história da humanidade.
Num contexto como esse, análises feitas com base nas práticas do cotidiano normal, muitas vezes, não se aplicam. Então, olhar para o passado, normalmente, não é a melhor forma de abordagem para encontrar a solução de problemas, porque os desafios são novos e a dinâmica da crise exige uma capacidade de adaptação acelerada. Assim, é preciso aprender rápido com a crise e adotar as mudanças com a velocidade que a mudança de cenário exige.
As mudanças que estão acontecendo na Companhia Docas do Rio de Janeiro (CDRJ) durante esta crise estão inseridas nesse contexto. A cada dia, temos tido que nos adaptar às alterações de um cenário turbulento e incerto. Sendo uma atividade essencial, nossos portos têm que se manter operando, mas temos um elevado contingente de colaboradores que integram os grupos de risco. Com essa característica da empresa, tomar medidas que mantenham os portos funcionando, com garantia da segurança à saúde dos trabalhadores, tem sido um desafio constante para os gestores e especialistas em saúde e segurança do trabalho da CDRJ e uma grande experiência de aprendizado.
Trazer para esta reflexão o elenco de medidas que já foram tomadas tornaria esse texto mais extenso do que o necessário. O Espaço do Empregado no website da empresa traz em torno de quarenta informes com medidas que incluem as áreas de recursos humanos (afastamento do pessoal), tecnologia (viabilização do teletrabalho), comunicação (informação e orientação) e prevenção (equipamentos e procedimentos de segurança à saúde).
Todas essas medidas foram resultado de um aprendizado diário, no qual nos baseamos não somente em normativos (tanto os já existentes anteriormente, quanto os que vêm sendo publicados quase diariamente durante esta crise), como também em boas práticas adotadas por diversas organizações e em publicações científicas. Foram todas decisões que tiveram que ser tomadas com agilidade, mas sempre com a responsabilidade que uma crise de saúde exige.
Com as medidas preventivas de afastamento da quase totalidade do pessoal administrativo e de grande parte do pessoal de operações e da guarda portuária, a empresa aprendeu a trabalhar de um jeito novo muito rapidamente. O resultado dessa capacidade de adaptação é que nossas operações não pararam e tivemos muito poucos casos diagnosticados de COVID-19. Foram três confirmações de casos isolados entre si até este dia 15/05, felizmente todos já recuperados e retornando ao trabalho após terminado o prazo de quarentena de quatorze dias.
Além disso, não nos preocupamos apenas com nossos colaboradores, mas também com a comunidade portuária e a população carente do entorno dos portos. Campanhas de vacinação contra a gripe foram realizadas em todos os nossos portos, tendo sido aplicadas mais de 1.300 doses. Ações solidárias para as comunidades carentes foram iniciadas, com a distribuição de cestas básicas e, brevemente, de kits de proteção à saúde.
Tem sido um enorme desafio, que tem exigido bastante de todos nós, gestores e colaboradores. Mas temos a certeza de que estamos colhendo frutos desse aprendizado. Como o mundo todo, nossa empresa está se transformando e aprendendo a trabalhar de um jeito novo, mais integrado, dinâmico, colaborativo e responsável.
A diretoria da CDRJ agradece e parabeniza cada um de vocês, que, nos portos ou em suas casas, têm contribuído para a superação desse desafio histórico para todos nós.
Jean Paulo Castro e Silva é diretor de Relações com o Mercado e Planejamento da Companhia Docas do Rio de Janeiro (CDRJ)


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