Começa o ano com um contido otimismo, já que os indicadores apontam uma expansão de 3% da economia. A preocupação é com o orçamento fiscal deficitário. No pano de fundo, o FMI (Fundo Monetário Internacional) avaliou que o Brasil, além de investir pouco, por causa da limitação orçamentária, investe mal os recursos que tem. Em documento divulgado no final de novembro de 2018, comparou os investimentos em infraestrutura do Brasil com outros países e apontou que há “carência de orientação do alto escalão quanto às prioridades, e fraca coordenação entre os níveis de governo”.

Para o setor da indústria naval que engloba a navegação, os portos e a construção naval existem cinco temas que merecem um olhar: as novas tecnologias; a importação de combustíveis e o impacto nos portos; o derramamento de óleo nas operações de transbordo entre navios; o excesso de oferta nos estaleiros mundiais e a mudança nos estaleiros locais; a rede de suprimentos diante da demanda.

 

A indústria 4.0 significa a computação em nuvem de grandes volumes de dados (Big Data), analisados e ordenados por sistemas de inteligência artificial (Analytics), aplicados em sistemas robóticos e na automação. A internet das coisas (IoT) permite monitoramento em tempo real. O Portos de Santos iniciou, em 10 de novembro de 2018, o sistema Porto Sem Papel (PSP), que consiste no envio eletrônico dos pedidos de atracação de navios pelas agências de navegação. A Sotreq, tradicional revendedora de motores Caterpillar, investiu em sensores nas máquinas com conexão direta com a área comercial para monitorar a necessidade de manutenção e facilitar o atendimento a clientes. Há dois anos a Caterpillar adquiriu a Radix Engenharia, que desenvolveu um novo sistema e ajudou a focar em inovação. A Caterpillar e a Cummins são os principais fornecedores no segmento de empurradores para navegação fluvial e rebocadores portuários. Os portos e a navegação são os setores onde maiores avanços 4.0 ocorrerão nos próximos anos.

Um dos fatores previstos para ampliar o movimento nos portos será a retomadas das importações de combustíveis. Expansões no volume de tancagem estão previstos nos portos de: Suape (PE); Açu (RJ); Salvador (BA); Pecém (CE); Itaqui (MA); Belém (PA); Rio Grande (RS), Itajaí e Navegantes (SC); Paranaguá (PR); Santos (SP), terminais na Baía da Guanabara (RJ); Maceió (AL), Ilhéus (BA) e Amapá (AP).

O aumento da produção de petróleo no Brasil vai ampliar o volume de operações de transbordo, entre plataformas de produção e navios petroleiros aliviadores e entre navios (ship to ship). Notícias na imprensa no final de 2018 mostraram o fraco controle sobre as operações de transbordo entre navios. A transferência de entre plataformas de produção e navios aliviadores registra derramamentos de óleo, segundo relatos de marítimos embarcados. Navios especializados em recuperação de óleo derramado (Oil Spill Recovery Vessel - OSRV) são convocados para lançar jatos de água na área do derramamento, afundando a mancha de óleo em vez de lançar as barreiras e recolher o derramamento. O motivo seria evitar o registro do incidente, já que o óleo recuperado teria que ter uma destinação final em terra, tornando o registro necessário. Para lançar jatos de água sobre a mancha o navio precisa navegar sobre o óleo e o casco fica sujo, gerando debates com a Petrobras sobre o custo adicional da limpeza.

Na construção naval, a situação é de grande oferta de capacidade de construção nos estaleiros mundiais. A sobreoferta é mantida por estratégias de países que protegem sua indústria naval com financiamentos e subsídios. Essa sobreoferta se manifestou a partir da crise financeira de 2008, que reduziu a demanda por navios e provocou a queda do preço do petróleo pela redução da atividade econômica internacional. Estaleiros locais de grande porte ou seus acionistas estão em recuperação judicial, limitando a possibilidade de competir para fornecer plataformas de produção ou navios petroleiros e aliviadores. O mercado percebido é a licitação em andamento para construção de quatro corvetas classe Tamandaré para a Marinha, onde a formação de consórcios de estaleiros locais e empresas de projetos e sistemas de combate representa um modelo que amplia a capacidade financeira e de planejamento. No segmento de rebocadores portuários e empurradores fluviais, há parcerias entre estaleiros, empresas de projeto como a Damen e a Robert Allen, com empresas de transporte fluvial e com exportadores de soja, como é o caso da Louis Dreyfus, que tem 64 barcaças e sete empurradores para transportar sua carga de soja pelos rios da Amazônia. Além disso é sócia do Tegram, terminal de grãos no Maranhão. São exemplos de modelos de negócios que podem ser explorados. 

Examinar como as novas tecnologias da indústria 4.0 podem contribuir para reunir informações sobre o mercado, principalmente sobre rede de fornecedores ou dimensionamento da demanda, podem ampliar o nível de conhecimento e melhorar a utilização das informações disponíveis. A migração para um ambiente de mercado digital é uma das situações previstas para o futuro. A disposição de pensar sobre o assunto e a preparação de fato para iniciar o processo é uma questão que merece ser endereçada. Por exemplo, a ANP detém grande arquivo digital sobre a certificação de conteúdo local de fornecedores. Não há debates ou estudos sobre como essas informações podem passar a integrar uma base de conhecimento estratégico. O desafio para todos os participantes desse setor produtivo é desenvolver inovação para ampliar o atendimento ao cliente e transformar desencontros, erros e desperdícios em valor que resulte em lucratividade para todos.

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